TERNURA DE SERMOS APENAS HUMANOS

Se não podemos mudar o mundo, interminável trabalho de formiguinha, resta nos abrir para o que existe e sempre existirá de positivo: os verdadeiros amores, que não se baseiam em vantagens, mas em ternura e respeito; as verdadeiras amizades, que não se contam pelos dias convividos, mas pela certeza de que o outro está sempre ali; as verdadeiras famílias, em que apesar das diferenças imperam a confiança e a alegria. Sempre que alguém quer e realiza o mal do outro, alguma coisa no mundo se desestrutura; toda ação ou palavra perversa, toda injustiça é um crime contra a natureza mais ampla, que nos inclui, a nós, seres humanos vulneráveis e grandiosos, patéticos e dignos – tudo isso por sermos apenas humanos. (Lya Luft, trecho extraído do artigo “O belo e o bom”, em sua coluna Ponto de Vista, da revista Veja, de 31 de janeiro de 2007)

Depois de ler “Pensar é Transgredir”, da escritora gaúcha Lya Luft, passei a admirar o seu trabalho, a sua forma de fazer livros. De escrever. Gosto de pessoas que me inspirem sensibilidade, pessoas que falam com o cérebro e com a alma. Sem, portanto, perder a simplicidade. Pessoas que se importam com o outro. Que reconhecem a complexidade do homem. Pessoas que pensam. Que transgridem. Que não se conformam. Que admiram o belo, mesmo que o belo seja de controversa definição…

24 pensamentos em “TERNURA DE SERMOS APENAS HUMANOS”

  1. Nunca me despertou o interesse. Talvez, depois do seu post eu a veja com outros olhos. (Talvez rsrs)

    “O que nunca despertou o seu interesse? A escritora? Se for, não há problemas. Ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas que eu, claro… ahahahah beijos, Aline

  2. Oi Ninoka que interessante!

    Acompanhei minha mãe a fisioterapia, li
    este texto, esta semana, não me lembro em qual revista.
    Gostei muito, pois a autora sabe ser realista sem perder a esperança, a leveza e a sensibilidade.

    Bjs. Liliam

    Bem, como saiu na Veja, acho q vc leu nessa revista. Ainda mais levando em conta q vc acompanhou sua mãe numa consulta. Ou seja, é bem provável q vc tenha visto o artigo de Lya Luft durante a fisioterapia de sua mãe. No meu caso, enquanto estava num consultório médico, fiquei folheando e encontrei “O belo e o bom”. Sim, também creio q a escritora sabe ser realista sem perder a esperança. beijos, Aline

  3. É estranho como os meus amigos internautas têm o hábito de me visitar, porém, não me deixam recados nem comentários. É como se vocês fossem até a minha casa, verificassem como está a frente da residência, mas fossem embora sem bater a porta e perguntar se lá estou.

    Enfim, deixo aqui um “comment”: se você vem aqui e não comenta porque não está com tempo, até entendo; mas, se você vem aqui, lê os textos e não deixa comentários porque não está a fim de interagir comigo… ah, isso eu não entendo. Ou melhor, fingirei q não estou entendendo. 😛 beijos,

  4. A frase “toda ação ou palavra perversa, toda injustiça é um crime contra a natureza mais ampla” está de acordo não só com o que a nossa mente emocional diz, mas também com o que os físicos (quânticos) dizem: “no nível sub-atômico todos estamos unidos, no mais profundo de nossa continuição somos, intrinsecamente, um”.
    Já li alguma coisa da Lya Luft, ainda não tive o prazer de ler um livro dela, mas ela demostra ter bastante sensibilidade e ser uma boa observadora.
    Beijos!

    Sim, Rebeca, Lya Luft é sensível e observadora, portanto, uma mulher inteligente. Sobre o que dizem os físicos, pois é, a vida é uma perfeita harmonia de conhecimentos. beijos, Aline

  5. Ups! Corrigindo: “físicos (QUÂNTICOS)” e “profundo de nossa CONSTITUIÇÃO”…
    Sorry, mas sabe como é… Erro de digitação é assim, já que a mente vai mais rápido que os dedos. rsrs
    Beijos!

    Sem problemas, Rebeca. Eu mesma editei pra você! bjs,

  6. Sempre gostei da Lya.
    Ela tem nome de fantasminha…não parece nome de gente…
    Lya “pluft”…
    Bobeira meu comentário, mas eu não a levava a sério por
    causa do nome…de tão bonitinho me parecia bobo.
    Um dia assisti uma entrevista com ela, e vi que estava
    errada.
    É uma gaúcha inteligente e observadora. Nascida em uma
    linda cidadezinha.
    Aliás tem muita gente assim no mundo.
    Beijo.

    Ow, Lisi, q história é essa de não levar uma pessoa a sério por causa do sobrenome?!!! 😛 Acredito q existem muitas pessoas inteligentes e observadoras… Eu só não consigo encontrá-las sempre 🙂 beijos, Aline

  7. Oi Aline!

    Quanto tempo, né? Eu também gosto da Lya Luft, apesar de só ter lido Pensar é Trangredir. Também gosto de pessoas que pensam. E gosto de pensar em mim mesma como uma delas…

    Bjs

    Pois é, Thams, você e sua irmã estão desaparecidas… Saudades de vocês! Qto a Lya Luft, ela é gente boa… Falar sobre ternura em tempos de violência, até parece piegas, né? beijos,

  8. Não li nda de Lya Luft ainda, pelo pouco q vc mostrou dela aq no seu blog tem despertado meu interesse. Muito sensível e bela a colocação dela. bjs

    Olá, Helen. É bom tê-la de volta. beijos, Aline

  9. Oi querida, tô de volta.
    Atendo em um novo endereço agora.

    A Lya Luft deu uma entrevista para a Marilia Gabriela na ocasião do DIM, você viu?

    Beijos

    Não vi, Prit. Assisti a uma entrevista com Lya Luft, se eu não estiver enganada, na TV Câmara. beijos, Aline

  10. O ato de ler é estar no mundo com responsabilidade. É exercício de liberdade. Lendo Lya Luft, então, conseguimos realizar tudo isso de maneira surpreendente, porque dialogamos com sua sublime escritura,
    onde quem escreve e lê torna-se a mesma pessoa, pronta para brilhar no céu – por vezes negro – da vida, mas sempre brilhante para aqueles que
    nela reconhecem a maravilha de ser humano. Capaz. Íntegro.

    Sóstenes, seja bem-vindo. Seu comentário chega a ser poético. Gostei de sua observação: “O ato de ler é estar no mundo com responsabilidade.” Ler é um excelente exercício para a alma. abraços, Aline

  11. Eu acho que a reportagem da matéria O belo e o bom, foi muito boa, pois aprendemos que com a violência,não vamos à lugar algum….

    Gostei muito da matéria!

    Espero que cada vez mais, aumente reportagens como essa, desse tipo de visão!

    Um grande abraço, Simar!

    (=^.^=)

    Simar, muito obrigada pela visita. Sempre que quiser, apareça e deixe seu comentário. um abraço, Aline

  12. Uma mulher perigosa.
    Tenho um livro na estante, que consulto às vezes. Na maior parte do tempo serve de tijolo, pois parece um: são exatas 997 páginas contando a biografia do escritor irlandês James Joyce. Dito escritor tem fama de difícil, hermético, intragável, ilegível. Vez em quando me arrisco a ler Joyce. É complicado, mas divertido. Volta e meia tenho que consultar o tijolo, de autoria de Richard Ellmann, o maior especialista em Joyce no planeta. Nunca, até ontem, havia prestado atenção em quem traduzira o livro. Ao menos a edição que tenho, de 1989, foi traduzida por Lya Luft. Sim, Lya Luft, ex-Senhora Pedro Luft, ex-Senhora Hélio Pellegrino. O primeiro um especialista em língua portuguesa; o segundo um psicanalista de primeira. Atualmente Dona Lya Luft é Senhora de Si Mesma. Um perigo. Explico: Lya é biscoito fino vendido às pencas nas prateleiras e nas páginas da revista Veja. Coisa dificílima num país como o nosso. Alguém já disse que ela é o Montaigne brasileiro. Michel de Montaigne escreveu, principalmente, ensaios, durante quase todo o Século XVI. Conheci o texto de Lya Luft através do seu romance ?O quarto fechado?, de 1984. Não a reconheci quando vi seus livros, a partir de ?Pensar é transgredir? ? cito de memória ? vendendo em pilhas de shopping. Confesso que nas primeiras leituras de seus ensaios fiquei com a impressão de mais uma porta-voz dos anseios e despropósitos da classe-média burguesa do Brasil. Mas ultimamente vi dois ensaios seus que me chamaram atenção: o primeiro falava das marias-mandato (uma variante das ?marias-chuteiras? e das ?marias-gasolina?), bem a propósito do recente escândalo do pecuarista Renan. Neste ensaio, Lya perguntava-se ? e implicitamente ao leitor e às leitoras ? a razão de, contra todas as circunstâncias e contra todos os princípios, as barrigadas mercadológicas surgirem do famoso ?aconteceu?. Uma mulher, finalmente, batendo, ainda que com luvas de seda, na face mais delicada de uma questão ?feminina?. Depois veio sua crônica sobre o dia dos pais; um banho no falso moralismo das mulheres que diminuem os homens do mesmo modo e na mesma medida em que são diminuídas pelos homens. Ou seja, a gracinha do ?chofer de fogão? versus o ?mala do seu pai, aquele boca-aberta?. Lya ? como de resto Joyce ? é repetitiva: tudo que escreve tem como pano de fundo a angústia da morte e como palco os reveses da vida. E ela entende do riscado, com aquela maneira marota de verter conceitos psicanalíticos em prosa aberta e franca. Procurem por uma foto dela de 1980, quando estreou com ?As parceiras?. Em pessoa, ela já transgride o arquétipo da loura burra: era ? e ainda é, guardadas as proporções quanto à idade ? lindíssima. Fala como mulher, como amiga, como mãe, como esposa e, ao que parece, gosta de homens. Não sei se os homens gostam dela. Acredito que ela deve ter metido medo em muito homem, durante a vida. Mas, estranhamente, a mulher é um perigo justamente porque fala como mulher. Uma mulher com o ?falo?. Não uma escrita algo difusa e diáfana, à guisa de um idílio feminino romântico ? o que muita gente considera uma escrita ?feminina?, não necessariamente saída da pena de uma mulher. Ela é o oposto do oposto: não se consegue vislumbrar nos textos sequer um resquício do ?bom-senso?, do ?lugar-comum?, do ?a vida é assim mesmo?. Ela nunca fala usando expressões como ?certas pessoas?, ou generalidades como ?as esposas devotadas ao lar?. Antes de qualquer comentário ela circunscreve o campo da fala. E suas ponderações jamais beiram ao julgamento. É moralista por dever de ofício, não por vício de conduta. Estranhamente ela convence. E, antes, ela se convence. Sua escrita é como tricô, ponto por ponto, enquanto pensa. A mulher realmente pensa. No Século XX, depois de Joyce, Kafka e Proust, o jornalismo passou ser a única literatura possível. Não por acaso os grandes nomes da América Latina ? salvo a grande exceção do argentino Jorge Luis Borges ? começaram no jornalismo. Nosso único Nobel português, José Saramago, também foi jornalista. Gabriel Garcia Márquez, Mário Vargas Llosa e Jorge Amado, idem. Se tivermos que escolher um ícone feminino, suficiente para caracterizar a literatura, de todo o Século XX, no Brasil, não poderemos nos deter em Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles ou mesmo Cecília Meireles. Queiramos ou não, há uma Lya no meio do caminho e no meio do caminho há uma Lya. Minhas já fatigadas retinas não podem mais rever o que perdi da escrita de Lya Luft. Mas, confesso, estou terminando o segundo dos três volumes dos Ensaios de Montaigne. Ainda pretendo ler Joyce e o tijolo estará lá; no meio de tudo, Lya Luft. Um perigo. Marconi Alvim Moreira não é crítico literário Mestrando em Lingüística, com ênfase em escrita feminina. Nem é um perigo.

    Marconi, primeiramente, sinto-me grata pela visita. Bem, você escreveu praticamente uma crítica literária. Até me deixou sem condições para comentar 😛 Pois é, Lya Luft já traduziu diversas obras. Só em português, foram mais de cem títulos. Ela iniciou sua carreira literária como tradutora de literaturas em alemão e inglês. Diz a sua biografia que, aos onze anos, Lya Luft decorava poemas de Goethe e Schiller. Para mim, ela é excelente. E compartilho com você dessa admiração pelo trabalho dela. Obrigada por sua resenha, que veio enriquecer meu texto. abraços, Aline

  13. Lya Luft com essa maneira tao sua de ser, deixou-me encantada e a cada vez que leio algo que escreve sinto-me feliz em aprender tantas coisas novas.
    Lya Luft voce e simplesmente DEMAIS!

  14. Ola Helena,
    Nao sei se Aline o conhece..mas eu tenho o prazer de conhece-lo. É uma pessoa maravilhosa! Conversar com ele é simplesmente…indescritivel. Um encanto de advogado…inteligente…
    culto…divertido.É procurador em Ouro Preto.

  15. Oi Socorro

    Tive a oportunidade de conhecer o Marconi Alvim muito rapidamente num concurso para professor na UFOP, mas percebi que ele e uma pessoa muito interessante e fiquei com vontade de conhece-lo melhor, por isso a pergunta, voces sao amigos? se quiser falar a respeito me mande um email.

    um abraço

    Helena

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