SOMBRAS, DORES & ABANDONOS

?A realidade que atravessa um prisma revela facetas tão precisas ou imprecisas quanto os feixes de cores em que se decompõe um raio de luz: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul… Onde se inicia o feixe vermelho, onde acaba o feixe laranja? A física poderá, talvez, dizê-lo com precisão ? ou acredita que possa fazê-lo, para o que lhe interessa. Mas a precisão da física não me é significativa para a vida diária, para o mundo, para a cultura, para a arte…? (COELHO, 2001, p. 69)

?A alma não extrai nada de seu próprio fundo: é fabricada com belezas externas. Longe de ser auto-suficiente, é apenas a sombra projetada pelo mundo.? (LACROIX, 2006, p. 180)

Somos quais sombras? Quais sombras projetamos? O que nos é significativo para a vida diária? Nestes nossos momentos de introspecção e de dor, vamos em busca de respostas, queremos diminuir o sofrimento. Queremos saber os porquês daqueles que nos abandonaram. Na ilusão de que as respostas nos aliviariam. Queremos entender por que mentiram para nós. Por que nos enganaram. Sentimo-nos inteiramente despedaçados.

Descobrimos que assim é a vida: nem sempre seremos suficientemente amados, ainda que acreditemos ter amado o suficiente. Porém, isso não significa que não tenhamos potencial para nos sentirmos amados novamente. E sermos… Assim é a vida: doída e desesperada; linda e bela. Vamos descobrindo (e o gerúndio aqui é importante) que a maior angústia do homem é o sentimento de ter sido deixado para trás. E o maior conforto vem quando descobrimos (ou vamos descobrindo) que, se ainda resta beleza em nós, o mundo deixará de nos parecer insípido.

E a vida nos sorrirá mais uma vez.

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COELHO, Teixeira. A cultura como experiência. In: RIBEIRO, Renato Janine (org.). Humanidades: um novo curso na USP. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.

LACROIX, Michel. O culto da emoção. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2006.

2 Replies to “SOMBRAS, DORES & ABANDONOS”

  1. Hi, Line! So, did you get home safe and sound? I loved meeting you. And remember: time is relative too. Love, Peter

    Peter,
    please do not force me to write in English :P. I’ve already explained to you that I don’t get along very well with this idiom. Anyways, I’ll make an effort. Oh! And as for your question, yes, I did get home safe and sound and feeling very much alive… (ufa!!!!)
    bye bye,
    Line

  2. lembrei de um trecho de uma poesia
    “Esta é a única vida e contém inimaginável beleza e dor”

    bjs Moça

    Boa lembrança!!! bjs, Aline

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