sauvage

Sempre me defendi da hostilidade com muita candidez. (in As teorias selvagens, Pola Oloixarac, p.75)

É este desassossego que me acalma. Que me liberta da prisão do mundo. Que me dá a certeza de um não conformismo, passividade brutal e alienada. Ideias confinadas, à espera da segurança necessária para a exposição. Este silêncio exato, contado, medido, rasgado. É este desassossego que me levanta todas as manhãs e que não me tira o sono completamente.

Meu espírito é morfossintático. E não importa o que isso signifique. Ele é proparoxítono, silábico, abstrato. Mas é ele que sinto: esta inquietação, reboliço, agitação de coisas, sentimentos, às vezes. Locução.

Reli as páginas em branco, rompi. Ouvi mais uma vez o silêncio daquela multidão, daquela vastidão finita. Contradição.

… permaneço escondida, aqui.
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OLOIXARAC, Pola. As teorias selvagens.Tradução Marcelo Barbão. São Paulo: Benvirá, 2011.

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