NOSSA NATUREZA MÁ

eles não compreenderam Rousseau

Gosto de saber que as pessoas mudam, assim como tudo na vida. E que elas têm a capacidade de transformar suas percepções.

A maneira como percebemos a vida, o outro e nós mesmos é o que faz a diferença entre aquele que prefere viver se lamentando pela “vida desgraçada” que tem e aquele que prefere sentir o que ainda existe de belo nesta vida.

Creio que essa “preferência”, na maioria dos casos, não é voluntária, espontânea. Isso porque é preciso ser muito masoquista para preferir algo de tão ruim para si mesmo. Creio também que essa “preferência involuntária” (e não venham me lembrar que isso é um paradoxo) pode ser modificada.

Sócrates disse que “ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a virtude são inseparáveis”. Como o meu objetivo aqui não é discutir os paradoxos socráticos (até mesmo porque desconheço a essência do que ele afirmou), trouxe essa frase apenas para refletir uma outra: a vida é uma segunda chance para a nossa natureza má.

Não. Não é o filósofo quem diz isso. Sou eu.

Diariamente, eu e você recebemos uma segunda chance. E ela é a própria vida. Alguns (eu também) acreditam que temos uma natureza má. A mesma capacidade que temos para liberar perdão, temos também para arquitetar uma vingança. Isto é o que somos: gente. E o que sempre devemos ser. A diferença está nas escolhas que podemos fazer. E que fazemos.

Dizem os estudiosos que o iluminista Jean-Jacques Rousseau foi mal interpretado, tendo sua tese (em resposta à Academia de Dijon) resumida ao que conhecemos: o homem nasce bom, é a sociedade que o corrompe.

Rousseau tem razão: o homem nasce bom. Afinal de contas, quando nascemos, o presente que recebemos é a vida. E ela é boa. A natureza má que trazemos não anula a segunda chance que recebemos.

Diariamente.

One Reply to “NOSSA NATUREZA MÁ”

  1. A propósito da intolerância às diferenças do próximo, meu dever é percorrer todos os dias caminhos azíguos na sociedade!É conteúdo irevogável de flagelação do homem que (“mora entre feras e sente inevitável nescessidade de também ser fera”) assista calado ao vómito político-econômico sobre sua índole naturalmente par,pondo em risco sua saúde, se esquivando de seu caminho para Valhalha a cada dia. A cada dia.

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