MACABÉA – ALGUMAS PÁGINAS DE ESTRELA

Macabéa entendeu uma coisa: Glória era um estardalhaço de existir. E tudo devia ser porque Glória era gorda. A gordura sempre fora o ideal secreto de Macabéa, pois em Maceió ouvira um rapaz dizer para uma gorda que passava na rua: “a tua gordura é formosura!” A partir de então ambicionara ter carnes e foi quando fez o único pedido de sua vida. Pediu que a tia lhe comprasse óleo de fígado de bacalhau. (Já então tinha tendência para anúncios.) A tia perguntara-lhe: você pensa lá que é filha de família querendo luxo? (Rodrigo S. M.)

Não é por acaso que o filósofo Theodor W. Adorno (1903-1969), ao falar sobre a “Indústria Cultural” (ver nota 3), afirmou que esta impede a formação de indivíduos independentes, capazes de julgar e de tomar decisões de maneira consciente. Embora o trecho acima não seja o mais adequado para me referir à indústria cultural, ele me fez lembrar o quanto o indivíduo é influenciado e condicionado pelos “anúncios” de uma sociedade capitalista e ‘desenfreadamente’ desumana…

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LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p. 61.
NOTA (1): Hoje, 23 de abril, é Dia Mundial do Livro, data instituída pela Unesco em 1995.
NOTA (2): Amanhã, 24 de abril, a exposição “Clarice Lispector – A hora da estrela” será aberta ao público, no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo.
NOTA (3): “Adorno e a Indústria Cultural”

7 Replies to “MACABÉA – ALGUMAS PÁGINAS DE ESTRELA”

  1. Sim, se não nos cuidarmos, somos vítimas da armadilha da igualdade.

    Nem sabia que hoje era dia do livro!

    Dia Mundial do Livro!!!!! beijos,

  2. O mais interessante é ver como a “Indústria Cultural” muda de opinião. As pessoas ouvem tudo o que falam e acreditam em tudo, mesmo sendo muitas vezes incoerente… Mas… As pessoas são, muitas vezes, incoerentes… rs
    Outra cousa que acho interessante é a criação de necessidades. Há um século telefone celular não existia, hoje é uma necessidade!
    Beijos!

    Infelizmente, estamos todos envolvidos nesse “condicionamento”, de uma maneira ou de outra. O importante é não nos deixarmos levar pela maré… Por esses dias, fui a uma instituição de ensino e me deparei com uma cena inusitada: todas as atendentes tinham o cabelo pintado de louro e com chapinha (nada contra as loiras! não é essa a minha discussão). Minha irmã Cecília, que tem um humor sensacional, disse para mim: pelo visto, os cabelos fazem parte do uniforme. É mais ou menos por aí. Vamos refletir melhor! beijos, Aline

  3. Aline, adorei as mudanças aq.
    A questão vai além, não é só ter um celular. A marca, o modelo e o preço contam nessa lista de “necessidades”. Esses dias, minha professora de psicopatologia deu o exemplo de uma paciente que se indagou sobre o fato de ser criticada por ter um aparelho não tão moderno. Para ela (o q acho correto), ela não tinha necessidade de outro, já que o dela funcionava tão bem, apesar de não ser tão moderno. O grupo, a mídia, a indústria em movimento pressiona o individuo. Manter a individualidade e a coerência nem sempre é tão fácil , já que se trata de um processo massificante (boa a expressão do Rodrigo “Armadilha da igualdade”). O problema disso é que o padrão de exigência é aumentado cada dia e as saídas encontradas são as mais diversas, dentre os mais diferentes públicos. Dentre elas, poderia citar o sujeito que compra desenfreadamente tudo que vê pra estar dentro do padrão e depois sofre as conseqüências por não conseguir pagar e dever tanto, o adolescente da favela que rouba por simplesmente querer ter o tênis que o menino de classe média pode comprar, e até aqueles que não fazem nda disso, mas entram no eterno sentimento de coitadisse ?eu não tenho nada, não posso nada, não sou nada?. Aqueles que conseguem manter sua individualidade e compreender o que realmente se faz necessário p/ vida são bem aventurados nessa nossa cultura de consumo , onde “o ter” parece atribuir valor a quem é “o ser”. Interessante vc ter ciatdo Macabéa, como o próprio Olímpico disse a ela: “Você, Macabéa, é um cabelo na sopa, não dá vontade de comer”… Enfim, Macabéa era sem graça, não seguia o padrão e não tinha condições para isso. bjs

    Oi, Helen. Vc sumiu por alguns dias, hein?! Eu tb gostei muito das mudanças que fiz. Acho que o site está com uma cara mais atraente (ainda não consegui deixá-lo arredondado). As cores e tonalidades foram escolhidas a dedo. São cores alegres, assim como o verde do layout anterior era. Não quero um aspecto denso. Depois, pensarei em mais mudanças. Por enquanto, são apenas essas. Sobre o tema em questão, de fato, é muito mais amplo. Minha idéia aqui é sempre estimular o debate, não necessariamente analisar os temas com profundidade. beijão, Aline

  4. como havia dito antes, o visual ficou à la UOL, mas mais com cara de blog. gostei das cores tb.
    mas beleza…

    quanto ao texto, uma coisa a dizer: não entendi!

    beijos,

    Pois é, Dudu, pretendo publicar notícias aqui. Tá perdoado por não ter entendido o texto. beijão, Aline

  5. Oi, Aline, como vc tah? Você juntou duas coisas q são conhecidas minhas: A Hora da Estrela (me deu raiva agora de naum morar em SP, eu quero ver a exposição) e a indústria cultural, tõ estudando isso, mas ainda bem q existem pessoas como vc q conseguem ver as coisas de outro ângulo, será q eh para isso q existem os jornalistas e os artistas?! Saudades…
    P.S.: (adoro Macabéa)

    Michel, q prazer tê-lo aqui no meu site. Finalmente, vc apareceu e comentou… Já pensou nós lá em SP na exposição??!! Iríamos rir um bocado com as gavetas secretas e públicas… Bom, para que servem os jornalistas e os artistas???!!! Quem sabe um dia a gente descobre. Adorei sua visita inesperada! beijos, Aline

  6. Percebi agora q tô atrasado

    Atrasado para quê? bjs, Aline

  7. *só para lembrá-la que consegui atualizar meu blog mais uma vez, em menos de um mês hehehe*

    bjos

    Está certo! bjs, Aline

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