immortality

A ingratidão é filha da soberba. (Miguel de Cervantes)

O vazio dos livros empoeirados
por Aline Menezes

Talvez se tivéssemos a condição da imortalidade, a soberba se instalaria em nós como um objeto que não pudesse mais ser removido. É porque morremos que podemos dar um sentido mais profundo à vida. Tenho pressa com as palavras porque tenho medo e compreendo que existe um tipo de silêncio que é difícil de fazê-lo.

Vago por caminhos solitários e respiro com dificuldade diante de minha impotência. O que aprendo sobre que é bonito e belo não é por meio de ensinamentos prepotentes e arrogantes, tão comuns entre muitos que transitam por aí, tão racionais.
A beleza da vida, encontro-a na palavra de conforto que recebo quando em desespero; no talento de quem perdoa o fato de sermos tão imperfeitos; na consciência do pai que não consegue expressar afeto, mas ainda assim sabe amar; no voo perfeito dos pássaros que procuram repouso, e o encontram…

No milagre de uma existência pacífica, num mundo tão em guerra; na certeza de que estar em paz não é experimentar a ausência de dias turbulentos, mas compreender que não estamos completamente sozinhos, ainda que solitários, nesta travessia tão difícil, dolorosa e que – quase sempre – pode nos machucar.

Há pessoas que se tornaram vultos de pensamentos estéreis, porque leram apenas o espaço vazio de livros empoeirados.

2 Replies to “immortality”

  1. Parabéns pelo texto, Aline Menezes.

  2. comecei hoje li o primeiro amei aline

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