IGREJA: UM MUNDO PARALELO

Levemente inspirado numa pregação de Caio Fábio

Antes que eu seja spameada em blogs públicos, deixe-me esclarecer algumas coisas: (1) minha orientação religiosa é denominada “evangélica”, descendente do protestantismo, dentro do cristianismo; (2) minhas críticas não são generalizadas; (3) há gente “sangue bom” em nosso meio; (4) há pastores inteligentes, que correm contra o equívoco dos demais.

O que quero dizer

A tendência das igrejas evangélicas é criar uma bolha em volta de seus membros: “não toques nisso”; “não toques naquilo”; “não leias isso”; “não vejas aquilo”; “não andes na roda dos escarnecedores” (para elas, escarnecedores são todos aqueles que não são daquela denominação, por isso, “são do mundo”). A propósito, a palavra “mundo” é aplicada de maneira extremamente equivocada, preconceituosa e perversa: cria-se um mundo paralelo.

Como diria Caio Fábio, estamos no Brasil, na América do Sul, no Planeta Terra, dentro de uma galáxia, no Universo… Isso é o mundo. Além dele, o que existe é o nosso interior. Do indivíduo. Portanto, pergunto: que loucura é esta da igreja de nos expulsar do mundo? Que esquizofrenia evangélica é essa? É o papo de que não somos deste mundo? A menos que se queira formar seres extraterrestres, a igreja não tem razão.

Quero ser gente – Foi o que pedi tão logo me deparei com a realidade religiosa. Realidade que mata o indivíduo, que tira dele sua natureza. Realidade que nos afasta de Deus, colaca-nos no centro como deuses, como seres perfeitamente perfeitos. Dentro daquela bolha, que você e eu conhecemos. Bolha que de tão grande explode. De tão pesada, afunda. Bolha que não sou eu, não é você. Não é ninguém.

Quero ser livre – Livre das cargas que eles não querem carregar. Livre da culpa, do medo de ir para o inferno. O inferno criado pela igreja, que prefere enviar os mundanos pra lá a trazê-los pra cá. Para o céu: da alma, da paz, do amor, da fé, da esperança, da compreensão, da alegria, da unicidade, da comunhão, da existência, do respirar, do hoje, do agora, do viver, do sentir, do gritar, do chorar, do irritar-se…

Do ser gente.

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