Homem: modo de abrir (por Claudia Roquette-Pinto)

|| Em janeiro deste ano, como forma de subverter os sentimentos provocados pela pandemia e pelas consequências de estarmos sob um governo irresponsável, de práticas criminosas que atentam contra a vida de milhões de brasileiros, iniciei aqui no site uma série de poesia erótica produzida por mulheres. Até o momento, tivemos Hilda Hilst, Olga Savary, Gilka Machado e a cantora e compositora Iara Rennó. Agora, apresento o poema “Homem: modo de abrir”, integrante de Margem de manobra (2005), da poeta carioca Claudia Roquette-Pinto. Conforme escreveu João Bosco para a orelha do livro, algumas peças dessa obra são “belos poemas de intenso erotismo”. Por isso mesmo, ela está presente em nossa série poética. Confira!

Homem: modo de abrir

Com os lábios e com a língua
e qualquer palavra que sirva
para a imagem a ser descascada:
uva túrgida,
auto-suficiente,
súbita inclinando-se ao
verter do próprio sumo
se adequadamente envolta
pela boca
sábia que adivinha (conhece?)
a concentração de urgência e
doçura
dormindo, agora, ali.

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ROQUETTE-PINTO, Claudia. Margem de manobra. Rio de Janeiro: Editora Aeroplano, 2005, p. 27.

Leia também:

“noite clara depois da primeira noite” (por Iara Rennó)
Particularidades (por Gilka Machado)
Saturnal (por Olga Savary)
Porque há desejo em mim (por Hilda Hilst)

Foto: @kingmallard

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