hail

Tornar-se terrorista é uma escolha. Deixar-se cegar pela pura inveja, pelo ressentimento ou pelo ódio também é uma escolha [..]. (Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, p. 159)

Prefiro a dor do corte à anestesia da alma. Quanto aos meus inevitáveis enganos, ajudam-me a refletir sobre a representação figurativa de minha lucidez. Porque somente as coisas abstratas existem de verdade.

Raras são as vezes em que olho para a lua. Talvez uma falha de caráter: confesso. A lua que me atrai só existe em forma de poesia, nos livros ou nos poemas. Assim habito; meu dna insiste em não ser decodificado.

Resisto a comportamentos previsíveis e absurdamente controlados.  E não peço desculpas por isso. Grito porque meu silêncio é ensurdecedor. E ele não me causa espanto, nem medo. Se vale a pena lutar por alguma causa, que seja pela lucidez:

… ela nos diz nossos limites, revela quem de fato somos e abriga a essência da vida. Que se dane quem prefere esta loucura – a ilusão. Ando numa outra atmosfera. Porque nela encontro inquietação, descanso e oxigênio, exatamente nessa ordem.

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BAUMAN, Zygmunt. Medo líquido. Tradução Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorger Zahar Editor, p. 159, 2008.

3 Replies to “hail”

  1. Amemos sempre a verdade, ainda que ela nos ofenda.

  2. “Raras são as vezes em que olho para a lua. Talvez uma falha de caráter: confesso. A lua que me atrai só existe em forma de poesia, nos livros ou nos poemas”. Não vejo isso como falha de caráter, mas sim como abstração. A construção da imagem da lua é mais forte que a lua em si. Construimos imagens mentais das coisas, e não a comparamos com a realidade pois, de certa forma gostamos de nos enganar.Bjooo

  3. Coincidentemente – ou não – hoje acabei de ler de V de Vingança, a HQ. Recomendo muitíssimo.
    Assim que li a primeira frase da citação desse post lembrei de V. E relacionei o trecho “Resisto a comportamentos previsíveis e absurdamente controlados” mais uma vez ao “terrorista” V, que busca pela anarquia um mundo mais justo. E o trecho “Grito porque meu silêncio é ensurdecedor” lembra-me quando V disse algo como “o impacto causado pelo barulho será proporcional ao tamanho do silêncio que o precedeu”.
    São muitas escolhas a tomar, e escolher é difícil, porque ao escolher algo, você carregará a responsabilidade pelas consequências dessa escolha. Por isso muitas pessoas deixam o controle de suas vidas nas mãos de outros.
    Pena que ao fazerem isso não podem reivindicar respeito.
    E sim, todas as coisas que realmente existem são abstratas, e nesse mar de abstração – faço minhas suas palavras – “se vale a pena lutar por alguma causa, que seja pela lucidez”.
    Bela reflexão, minha amiga.
    Beijos.

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