farewell

There is so much hurt in this game of searching for a mate. And you realize suddenly that you forgot it was a game, and turn away in tears. (Sylvia Plath, escritora e poetisa americana)

Há um outro tipo de estrada que a espreita. O barulho de seus pensamentos a sufoca e a paralisa brutalmente. Não é possível habitar desta maneira! Mais do que em qualquer outro dia, ela sente que precisa ir. Houve uma lesão na alma, intensa, profunda. Acidental, mas ocorreu. Se ela não partir agora, será ainda mais amarfanhada. Aconteceu. “Ninguém decide sobre os passos que evitamos”… Viver assim, pensou, é doloroso, cruel, injusto. Existir assim, lamentou, é insuportável. Acabou, ela sabe disso. E agora é ela quem quer que seja dessa forma. O seu corpo, o seu espírito, a sua alma, os seus devaneios, as suas fantasias, tudo está desbaratado, destruído. Respira sofregamente, mas de cansaço, de agonia, de angústia, de dor. A pressa é pela morte, e não mais por ele, que partiu bruscamente, sem se despedir. Não precisa, não importa, é a vida. Cada um com os seus cortes, com as suas feridas, com o que ainda lhe resta de sangue.
Mais do que em qualquer outro instante, ela sente que precisa ir. Tudo dói. Voltou a sentir os mesmos sentimentos difíceis e dolorosos de tempos atrás, quando viveu outra história, outra experiência, que também a marcou. A solidão não é escolha, nem muito menos contingência. O inferno de sua vida é sentir. A tragédia de sua história é inquietar-se em demasia. A sua percepção é excessiva. A sua entrega é esmagadora. Desde a sua infância foi (…). Ela não consegue dizer. Não dirá. Se ela fosse corajosa, se agisse com a intrepidez das figuras heroicas, acabaria com tudo isso hoje. O que ela tanto deseja é nada mais sentir. Absolutamente. A sua ousadia é o pecado que a condenou para sempre.

(…) arrancaram-lhe a pele.

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