escrevendo

Literatura é liberdade. (Susan Sontag, escritora e filósofa americana)

Todos os dias ele nasce. Aqui e ali. Todos os dias, tudo muda e permanece igual. Gente caminhando pelas ruas e estradas do mundo… Gente solitária, comum. Pessoas que seguem suas vidas, outras que decidem interrompê-las. A vida é limite, assim como viver é permanecer em luto. A existência humana é trágica, e eu não tenho mais dúvidas em relação a isso. E aqueles momentos bons que temos são mesmo apenas intervalos de felicidade, como nos diria Schopenhauer.

Como entender que a liberdade também é condenação? Onde Nietzsche errou? A dor, o sofrimento, a angústia… A solidão e a morte… Precisamos reconhecer que estamos cercados. O mundo é estúpido. A nossa existência será sempre individual, portanto, solitária. Sou eu quem sente as minhas dores, ninguém mais pode senti-las, ainda que alguém se mostre para mim solidário. A vida é possessão involuntária: a dor é minha, está em mim, sem que eu a tivesse desejado.

Mas todos os dias ele nasce, o Sol, aqui e ali. Todos os dias, as pessoas andam e correm. Muitos sobrevivem, enquanto outros deixam de existir. Há diferenças em tudo o que tocamos, sentimos, percebemos, ouvimos, lemos, reconhecemos. Há diferenças. Mas há também coisas iguais, sentimentos de cumplicidade, dores compartilhadas, canções compartilhadas, vidas compartilhadas. Esta confusão que nos persegue na alma também se dissipa. Os caminhos que escolhemos são caminhos. E eu aqui no meu canto infinito e solitário sinto todas essas palavras rolarem pelo meu corpo, pela minha alma, pelo meu espírito… porque apesar de toda nossa existência trágica, aqui dentro algo teima em acreditar que vale a pena viver, que vale a pena sentir as pessoas, que vale a pena ouvir as mais belas canções de amor. Sim, que vale a pena.

Pessoas, mundos, corações despedaçados, silhuetas de emoções… O esboço da beleza da vida. Em tudo isso está o meu esforço de viver… Vivo de mãos dadas com quem também quer viver, apesar de toda a angústia de nossas almas, nossas contradições, nossas lágrimas, aqueles sentimentos inquietantes, capazes de nos fazer adoecer, enlouquecer, gritar, fugir de todos os lugares, cada um refugiar-se em lugar algum. Vivo. Porque é somente isto que me resta: a vida é o meu único pretexto para escrever.

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