E É TÃO BOM NÃO SER DIVINA

“A atitude convencional em relação à morte é dada pelo nosso próprio colapso quando ela atinge alguém a quem amamos. Mas esta nossa atitude tem poderoso efeito em todas as vidas. A vida se empobrece e perde em interesse quando o prêmio mais alto no jogo de viver, a vida em si mesma, não pode ser arriscado.” (Sigmund Freud)

Perfeição: eis a desgraça de todos os homens. O engano da divindade humana. Se para satisfazermos a civilização, é preciso que neguemos nossa natureza humana; se para conquistarmos o outro, é necessário omitir o que temos de menos nobre; se para sermos aceitos socialmente, precisamos fingir que não desejamos a subversão, então devemos admitir, urgentemente, que a vida que temos não é nossa, não é do outro, não é de ninguém. Devemos admitir, urgentemente, que nunca soubemos viver. Ou – o que é pior – não vivemos. Porque já estamos mortos.

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Coleção Pensamento Vivo. Freud. São Paulo: Martin Claret, 2005, p. 92 e 93.

8 Replies to “E É TÃO BOM NÃO SER DIVINA”

  1. A verdade é que é impossível ganhar o mundo sem que se perca a alma. E com isso, creio que o evangelho não fala do inferno – mas de perder a essência de quem se é.

    A propósito, Digo, há muita coisa no evangelho que está totalmente distorcida. Cansa-me ver as “aberrações evangélicas” propagadas pela TV. É irritante – e até penoso – ouvir os “homens de Deus” rasgando a beleza divina, substituindo-a pela arrogância humana (aliás, arrogância só pode ser humana!). Muita gente já morreu, embora continue indo à “igreja”. Muita gente passou a viver, depois de sair da “igreja”. E há muita gente feliz, dentro de uma comunidade cristã. Esse último seria o ideal! beijos, Nina

  2. Belo texto! Se somos todos dostoievskianos jogadores nesse mundo, nosso único bem é a vida: apostamo-la, então! Who wants to live forever?!

    É verdade: nossa vida é o bem maior. Grata pela visita e pelo comentário. abraços, Aline

  3. Vivemos a negar a morte, que se impõe, cada vez mais forte, por meio daqueles a quem amamos. Chorar pelo “fim” das paixões e dos amores é chorar, antes de tudo, por nós mesmos, diante de uma das grandes verdades da ?vida?, a “morte”. Nesse meio tempo, entre pulsões de vida e de morte, o importante é nos conhecermos, pois isso revela o outro e nos permite ganhar o mundo, arriscando-se na subjetividade deliciosa que existe por trás das relações superficiais do dia-a-dia.

    Aleandro, estou mais do que surpresa com a sua visita. Supresa e feliz, claro! Nem sei quanto tempo tem que não nos encontramos, a não ser por e-mail. Você me localizou como? Acho que eu passei um e-mail pra vc dizendo o endereço do meu site, né?

    Bom, sobre seu comentário… é uma verdadeira psicanálise!!! ahahah Também concordo que precisamos nos conhecer… descobrir o que somos, individualmente. Grata pela visita! Adoro quando meus amigos vêm me visitar… beijos, Aline

  4. Oi Aline. 🙂
    Falando sobre mortos e vivos (ou mortos-vivos), lembro-me de uma coisa que o Lulu Santos falou. Uma vez um amigo dele disse que no show dele todo mundo sabia o que ia acontecer: Lulu iria colocar todo mundo para cantar junto “Como uma onda”. Foi aí que o Lulu disse: “Na vida todo mundo sabe o que vai acontecer, qual é o final. Mas nem por isso devemos deixar de viver!” Foi então que ele sentou no palco, ficou em silêncio e todo mundo cantou “Como uma onda” em uma só voz.
    Queremos tanto ser diferente e fazer tudo novo, mas nem sempre é isso que diz se vivemos de verdade ou não. Acho que viver de verdade implica em fazer o que achamos certo, não o que acham que é certo para nós.
    Beijos!

    E é exatamente porque sabemos o final que devemos aproveitar e olhar o dia-a-dia com mais ânimo, com mais vontade de viver e de ser feliz. Viver intensamente, para mim, nada tem a ver com ser irresponsável, mas, sim, ter a responsabilidade de cuidar de si mesmo, de olhar para nós mesmos… E devemos perguntar: o que queremos? Se não houver resposta, ainda assim devemos seguir o caminho que escolhemos. Obrigada pelo comentário e pela visita! Adorei o início sobre Lulu Santos. beijos, Aline

  5. Sim e como foi que meu cometário foi parar ali acima? rs

    Não sei, se eu descobrir, aviso. beijos

  6. Frente ao desespero que nos é inato, só nos resta a angústia. Não podemos tomar decisões e nos assegurar de sua eficácia, acerto ou justiça, baseados somente na ética, na estética ou na razão. Só a fé e o temor a Deus podem nos dar algum conforto para enfrentarmos o julgamento final, o qual nos escapam os critérios ou as decisões. Somos seres para a morte. A morte é o fim, em ambos sentidos: é o derradeiro momento no qual tudo cessa neste mundo, e é o sentido, o objetivo, a finalidade da existência. Existimos para a morte, temos de viver com isso, ou nossa existência estará para sempre perdida.

    Que intenso! “só a fé e o temor a Deus podem nos dar algum conforto…” Pegando o gancho… hoje, li um texto atribuído* a Kierkegaard. Dizia o seguinte: A igreja vem há muito precisando de um profeta em temor e tremor que tenha a coragem de proibir o povo de ler a Bíblia. Sou tentado, portanto, a fazer a seguinte proposta: coletemos todas as nossas Bíblias e juntemo-las em algum lugar aberto ou no alto de uma montanha e então, enquanto todos ajoelhamos, alguém fale com Deus da seguinte maneira: ?Leve esse livro de volta. Nós, cristãos, tais como somos, não somos aptos a nos envolver com tal coisa; ela apenas nos torna orgulhosos e infelizes. Não estamos prontos para ela.?

    E ele diz mais: A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que, no minuto em que compreendermos, estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. Meu Deus, dirá você, se eu fizer isso minha vida estará arruinada. Como vou progredir na vida? Achei ótimo! Até mais, Aline

    *uso o termo “atribuído” pra me resguardar de algum equívoco, pois não tive como comprovar se é dele mesmo, embora tudo indica que sim.

  7. Nesta vida, seremos sempre imperfeitos. Não caiamos no caso citado por um pastor americano:”serei santo mesmo q morra” – e, diz ele: “E às vezes é justo o q acontece”. Santidade por esforço próprio ou é hipocrisia ou soberba pura; quando não ambas; quando não se torna uma forma de prisão.

    Claire, você por aqui??? Devo estar delirando… ahahah Fazia meses que você não me visitava. Seja bem-vinda novamente! Pois é, santidade por esforço próprio é soberba pura. E quantos não estão aprisionados?! beijão, Aline

  8. Oi Ninoka 🙂

    “É tão bom ser Liliam, rsr,rs,rs…”

    Sexta feira 17/08 sua amiga completa mais um aninho 🙂

    Beijo.

    Lilika, farei um esforço maior para não esquecer. beijos, Aline

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