DOWN BY LAW (1986, BY JIM JARMUSCH)

Você tem razão, Laurette, não se pode viver sempre no presente. (Zack)

A decisão de acreditar na graça da transitoriedade da vida: eis a defesa contra o suicído emocional. Repetir que tudo nesta vida é transitório, às vezes, torna-se a melhor e mais sagrada oração de todos os tempos. De todas as crenças e de todas as religiões.

Em busca da consagração da alma, somos conduzidos pelos deuses a espaços nunca antes visitados. Somos conduzidos ao santuário de nossa existência. Ao panteão de nossa fé. Por várias razões acumuladas, criamos em nós a matança de nossos sonhos, o extermínio de nossas esperanças e a solidão de nossas chagas.

Porém, durante a nossa luta entre anjos e demônios, percebemos que só nos resta a vida: essa superioridade que acabamos de sentir com tanta magnificência. Essa simpatia que nos faz falar. Essa certeza de que nada há que justifique os excessos de nossa dor.

Absolutamente nada.

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Daunbailó, cujo título original é Down by Law (1986, preto e branco), é um fime dirigido pelo cineasta independente norte-americano Jim Jarmusch e que tem no elenco Tom Waits (Zack), John Lurie (Jack) e Roberto Benigni (Bob). Segundo o professor de Cinema Sérgio Moriconi, Jarmusch é um filho legítimo da velha tradição do cinema anti-hollywoodiano norte-americano, “cujas origens remontam ao underground dos anos 50 e à obra das duas gerações de cineastas que surgiram no contexto da contracultura nas duas décadas seguintes”. Influenciado por sua formação acadêmico-literária, Jarmusch costuma fazer em seus filmes diversas citações a Walt Whitman e a William Blake, por exemplo.

Para saber mais, sugiro os links: O baú de Jim Jarmusch e Sobre Jim Jarmusch.

8 Replies to “DOWN BY LAW (1986, BY JIM JARMUSCH)”

  1. Parabéns pelo bom gosto, Estranhos no paraíso também é ótimo.

    Fiquei feliz com a sua visita. Senti saudades de seus comentários. Quanto a Stranger Than Paradise (1984), tentarei ver até o dia 18, que é quando termina a mostra de Jim Jarmusch no CCBB. Essa busca de Jarmusch por investigar o espírito humano me atraiu… beijos, Aline

  2. That’s my girl!!!! Love, Peter

    ahahahah… That’s my girl???? Olha só, respondi o seu e-mail. bye bye, Line

  3. “A decisão de acreditar na graça da transitoriedade da vida: eis a defesa contra o suicído emocional.”

    é isso!

    simples assim!

    Arrá!!! Finalmente, vc resolveu deixar a sua marca, né??? Obrigada pela visita registrada! beijos, Aline

  4. “…só nos resta a vida”, e ela nos basta. 🙂
    Beijos!

    Certamente, ela nos basta. beijos, Aline

  5. Desculpe, mas penso que nem tudo nesta vida é transitório: os bons valores, o amor, a alma etc…

    Wandick, conforme nos falamos por telefone, entendo sua perspectiva. Por ela, de fato, nem tudo é transitório. Porém, parti de algo mais óbvio: enquanto seres, mortais e que estamos no plano físico, seremos e estaremos em volta da grande transitoriedade da vida. É sobre mais ou menos isso que quero refletir. beijos e obrigada pela visita!!! Pode continuar me contestando… Eu gosto! ahahaha

  6. Alineeeee, estava pesquisando “Oliver Twist” e o que encontro? Aline Menezes! Essa que me deixou esperando com a mesa posta, o chá fervendo e as flores novas lindas no vaso. Enfim, é a vida! Como o pequeno Oliver teve seu final feliz, fico aguardando o meu.

    Beijocas,

    Rejaniaaaa, vc não vai se livrar de mim tão cedo… Quanto ao chá, foi mal. Saí mto tarde do trabalho. Queria ter ido, mas não deu… Perdãoooooooooo!!!!!! Agradeço pela mesa posta e pelas flores novas lindas no vaso. beijos, Aline

  7. E aí, Aline?? Estou achando massa esse site. Não li tudo, mas chego lá. Todo espaço de reflexão é bom. Wandick está certo em dizer que nem tudo é transitório, porém, nós somos transitórios! Ainda bem que vamos tomar chá, com flores nos vasos prá desvendar melhor esses paradoxos da vida!!
    Até o próximo comentário…
    Beijos, Denise.

    Oi, Deni!!!!!!!!!! Sim, ainda bem que vamos tomar chá. Sempre que puder, visite-me. Este é o meu lugar sagrado! beijão, Aline

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