short

A vida é muito curta para tomarmos às costas o fardo dos erros alheios. Cada um vive como quer e paga pelo que faz. Só é triste que muitas vezes se deva pagar por uma só falta. E a expiação não tem fim. Nos seus negócios com o homem, o destino nunca fecha a conta. (Oscar Wilde in O retrato de Dorian Gray, p. 153)

Porque a vida é breve
Por Ricardo Gondim*

Porque a vida é breve me deixo atrair pelo insólito. E com ele, desperto a coragem de correr riscos. Cito Rubem Alves: ?Os homens buscam a segurança para fugir da morte. Eles não sabem que a segurança é a morte em vida?. Noto os dias desaparecerem em nacos semanais. As semanas se diluem em meses. Os meses se esfarelam em anos. E os anos se acabam nas décadas. Inconformado com a ladeira do tempo, não permito que a vida despenque em direção ao nada. Se o relógio acelera na loucura do dia a dia, canto com Lenine:

?Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara?.?
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wings

Uma voz, harmoniosa e fraca, perdia-se sobre as ondas; e o vento levava os trinados que Léon ouvia passar, ao seu redor, como um bater de asas. (in Madame Bovary, Flaubert, p. 226)

As ruas daquela cidadezinha ainda são as mesmas: largas, cheias de nada, vazias e escuras. São os sons do silêncio que nos ensurdece, malditas esquinas que têm nomes, inúteis. O cativeiro da liberdade, escondida por detrás das margens. Profundas e irreconhecíveis, sinais vermelhos, dando mostras de que agora tudo é perigoso.

Pessoas vagando pela estupidez, mal deste século. Um tipo de cansaço que até nos alivia, havia, ali. Modos infames, pensamentos lascivos, repugnantes. Que dirá de tudo? Que dirá de todos? Que dirá de ninguém? Basta não ser como os outros, não ser como os demais. Basta dizer que se tem o dom de não se ter. Querer.

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MEU NOME É

Da Vinci, Alexandre, Einstein e Marco Polo

A coleção “Meu nome é” (ano 2005), da editora Publifolha, é uma iniciativa voltada para o público infanto-juvenil. Numa linguagem apropriada para crianças, os livros ilustrados trazem a biografia de alguns dos principais nomes da cultura, da ciência, da história e da arte dos últimos tempos.

De acordo com informações da Folha Online, a série pode ser encontrada nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou no site da Publifolha (www.publifolha.com.br).


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SIMULAÇÃO

Não tenho dúvidas de que sempre estaremos cercados por pessoas fingidas e dissimuladas. Também acredito que somos parte, em alguns momentos, desta geração: indivíduos politicamente corretos, que carregam em si um sujeito pronto para não contrariar, porque não quer ser desagradável. Esse tipo de comportamento, para mim, é desonesto.

Tenho pensado com freqüência sobre os relacionamentos virtuais. Sobre os comentários que os internautas deixam nos blogs uns dos outros. Sobre as conveniências. Sobre a insinceridade. E sobre nossa capacidade de se irritar com quem não concorda com nossas idéias, muitas vezes escritas de maneira confusa.

Fiquei pensando no quanto somos tendenciosos: costumamos respeitar muito mais aqueles que compartilham conosco da mesma opinião, dos mesmos ideais, do que os que se opõem a nós. E isso me parece arrogância. Uma tremenda arrogância!

Nós, que lidamos com um público internético (por isso mesmo, diversificado e desconhecido), precisamos ser mais cautelosos, mais perspicazes, mais sensíveis para respeitar a multiplicidade de opiniões. É isto que faz da vida algo tão atraente – a possibilidade de não existir um mundo, mas todos os mundos possíveis.

“Quem é como o sábio? E quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz brilhar o seu rosto, e com ela a dureza do seu rosto se transforma.” (Eclesiastes 8:1, retirado da Bíblia Online)

JUDY MOODY QUER A FAMA!

de Megan McDonald
ilustrado por Peter Reynolds
traduzido por Isa Mara Lando

Penso que os adultos deveriam voltar a ler coisas infantis.

A história de Judy Moody seria comum, se não fosse o fato de ela ser Judy Moody: aluna da 3ª série, (deve ter nove anos de idade), ela detesta saber que a sua colega Jéssica ficou famosa porque ganhou o concurso de “Rainha da Ortografia”, por ter soletrado a palavra alcachofra. Movida pela ‘inveja’, Judy tenta a todo custo ser famosa também…

Na noite em que li esse livro, eu estava tão inspirada, que chorei de rir numa determinada cena: Judy leva sua gata Ratinha para participar de um concurso de bichos. Os bichos que participam têm algum tipo de habilidade (foi esse o capítulo que me causou gargalhadas). Tem até galinha que toca piano!

(…)

Posso estar equivocada, mas não vejo, no Brasil, incentivo à literatura infantil ou à literatura infanto-juvenil (exceto o conhecimento que todos têm de Monteiro Lobato, Ziraldo e Maurício de Souza). Aliás, já não existe um incentivo muito grande à leitura, quem dirá à infantil, o que é uma pena!

Assim que possível, comprarei toda a “Coleção Judy Moody”.

Sobre a autoraMegan McDonald foi criada na Pensilvânia, nos Estados Unidos, a mais nova de 5 irmãs. Como todos na família tinham muito talento para contar casos e ela nunca conseguia dar um palpite, resolveu escrever suas próprias histórias. Megan formou-se em literatura infantil e trabalhou em livrarias, bibliotecas e escolas, tornando-se depois escritora em tempo integral. Ela mora na Califórnia, com o seu marido Richard.

Obs.: as informações sobre Megan, eu transcrevi de um arquivo em PDF fornecido pela editora Moderna.

SEM CENSURA

Não tenho antena parabólica. Não tenho TV por assinatura. Faço parte da grande maioria dos brasileiros que assistem aos programas que a TV aberta nos “permite” ter…

Gosto do programa Sem Censura, apresentado por Leda Nagle, pela TVE Brasil. Sempre que posso ver, não me arrependo.

É isso!

À SURDINA

Prepotência. Arrogância. Intolerância. Soberba. Orgulho. Insolência. Nefasto. Tudo tão feio! Tudo tão ruim! Tudo tão humano, ao mesmo tempo, desumano! Os risos irônicos. Os olhares bizarros. Pessoas cínicas. Sem afeto. Sem. Nada. Falta. Perdas.

O não olhar o outro. O não se colocar no lugar do outro. O egoísmo. O desinteresse pelo próximo. Próximo longe. Próximo perto. Próximo aqui. Tudo me parece ridículo. E talvez até seja! Ridículo! O não perdoar. O não desculpar. Não entendo. O meu mundo não me permite entender. Sou intolerante com o ridículo. Minha alma tem aversão à falta de amor. À falta de carinho.

E minha aversão não me assegura o não ser assim também! Tão igual aos outros. Tão igual aos arrogantes. Aos prepotentes. Aos intolerantes. Aos soberbos. Aos orgulhosos. Aos insolentes. Aos nefastos. Tão igual a todos.

Mas, mesmo sendo igual, mesmo sendo esse lixo ridículo que todos somos, mesmo assim, creio em um lugar melhor. Creio nas gentes. Confio nos amigos. Sinto saudades. Amor. Procuro paz.

E a encontro!

(texto escrito aqui, numa quinta-feira, data qualquer, às 12h13)

NON SIAMO ANGELI IN VOLO VENUTI DAL CIELO/Ma gente comune che ama davvero*

João se separou de Maria, que era casada com Joaquim, que enviuvou de Tereza, que morria de amor por Antônio… Quem se importa com a vida deles? Não sei!

(Drummond, perdoe-me!)

Cicarelli se separou de Ronaldinho, que era casado com Milene, com quem tem um filho… Quem se importa? TODOS SE IMPORTAM!!!

Você não precisa assistir aos programas de fofoca. Você não precisa acessar a Net. Nem mesmo precisa ler este blog. Você só precisa estar em algum lugar, que logo sabe da separação do Fenômeno-do-Futebol com a Linda-Modelo-Apresentadora.

E aqui estou eu dando Ibope. Fazendo deles o motivo de meu post!!! Pobre menina má!!!

Bem, o que quero dizer mesmo? Ah, sim! Vida de famosos é isto: vira manchete. E o pior: por mais irrelevante que a notícia seja. Mas, também…

Agenor se cansou de brigar com Estelita, que foi até a vizinha desabafar com Joana, que abriu o jogo sobre o seu relacionamento com Augusto, que sempre foi apaixonado por Isabel, mas Isabel era negra!

O pai de Augusto proibiu o romance!

Isto importa: duas pessoas que se amam, mas não podem se amar.

*Não somos anjos em vôo vindos do céu/ Mas gente comum que ama de verdade, disse Renato Russo, em Gente.

PARA QUE SERVE UMA RELAÇÃO

Bom, pessoal, ao acessar o site do Flávio Venturini (www.flavioventurini.com.br), vi em sua coluna um link de textos, quando tive o privilégio de ler um deles. É o seguinte:

Por Martha Medeiros

Lendo a entrevista que o médico e escritor Drauzio Varella deu para a revista Marie Claire, encontrei a definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação: “uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil”.

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom e merece ser desenvolvido. Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

SIMPLICIDADE – É O QUE CRISTO NOS ENSINA

“O grande pecado é tratar com irrealidade a natureza humana!” (Caio Fábio)

A vida cristã, a meu ver, precisa ser encarada com serenidade. As imposições e neuroses lançadas sobre a vida dos cristãos é um mal que tem afetado principalmente as mais insensíveis das almas.

Não se cobre. Não seja manipulado pela versão distorcida de um cristianismo anti-humano. Olhe para Cristo, para a simplicidade com que ele percorreu a terra, para a beleza que havia em seu andar. Cristo era simples! Deus é!

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (João 8:36 FC)

Sejamos livres! Tenhamos almas livres!

Liberdade é poder fazer essa escolha. E nós podemos fazer essa escolha. Não permitamos ter nossas almas aprisionadas, mas, antes, libertemo-nos da prisão que é querer ser cristão fora de nossa humanidade. Não somos sobrenaturais!

Logo no início de minha conversão, aos 17 anos de idade, aprendi muita coisa boa com meu pastor daquela época (pausa: ah, que saudades do pastor Timóteo!). Uma das coisas que ele me ensinou foi: Aline, ser crente (ou cristão) não é viver sobrenaturalmente, com perfeição, sem erros, sem pecados, sem falhas… Ser crente (ter um coração convertido) é permitir-se ser guiado por Deus, tão-somente.

Permita-se ser guiado pelo Espírito!

Não lute contra sua humanidade [esse combate não é pra ser combatido], pois todo o esforço só será em vão.

Sejamos cristãos sadios… Sejamos crentes sadios, desprovidos de quaisquer comportamentos doentis…

É o convite que faço para este novo ano de 2005!