Mídia independente e autônoma

E o mundo, reduzido à sua matéria*
por Aline Menezes

“Somente quando as coisas podem ser vistas por muitas pessoas, numa variedade de aspectos, sem mudar de identidade, de sorte que os que estão à sua volta sabem que veem o mesmo na mais completa diversidade, pode a realidade do mundo manifestar-se de maneira real e fidedigna.” Essa afirmação está no livro “A condição humana” (Forense Universitária, 2007, p. 67), da filósofa política alemã Hannah Arendt (1906-1975). No capítulo em que ela escreve especificamente sobre o significado da vida pública ou da esfera pública e acerca de sua compreensão sobre o que seja comum a todos, a escritora de origem judaica afirma que a importância de sermos vistos e ouvidos por outros está no fato de que todos nós vemos e ouvimos de ângulos diferentes.

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Eleições 2018

“Quando à noite desfolho e trinco as rosas”
por Aline Menezes

Uma parte de mim está perplexa; a outra, aliviada. Repouso porque não estou só, muito menos renegada. Sinto-me acolhida por aquela gente que nos humaniza por meio da arte, da literatura, da música, da poesia, da dança, da lucidez, do respeito à diversidade de crenças, de raça, de orientação sexual, de gênero, de classe social. Sinto-me acolhida por todos(as) que me antecederam em luta e por todos(as) com quem seguirei daqui em diante. Aprendi a resistir. E a não negociar a minha dignidade, a minha integridade e o que sou. Uma parte de mim está perplexa; a outra, aliviada. Repouso quando sei que as minhas irmãs e os meus pais não afagam o escárnio dessa gente vulgar, que ora em voz alta, pra abafar o grito de sua perversão. 

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