ÀS VEZES, NO SILÊNCIO DA NOITE

(…) é pelo escândalo que principalmente se manifesta a subjetividade, o indivíduo. Indubitavelmente que o escândalo sem ser escandalizado é um pouco menos impossível de conceber que um concerto de flauta sem flautista. No entanto, até um filósofo me confessaria a irrealidade, mais ainda do que do amor, do conceito do escândalo, e que ele não se torna real senão quando há alguém, quando há um indivíduo que se possa escandalizar. Portanto, o escândalo está ligado ao indivíduo (…). (Kierkegaard, p. 111)

O que não se tem de existências desperdiçadas!, disse o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard. Quando penso em doutrinas filosóficas ou literárias, gosto de pensar no existencialismo. Gosto de pensar no homem sob a perspectiva de Jean-Paul Sartre: “A existência precede a essência”.

Existir e ser a própria essência. O que somos. Às vezes, no silêncio da noite, conseguimos existir. Conseguimos preceder nossa própria essência. É quando nos tornamos indivíduos, quando nos descobrimos subjetivos, quando encontramos nossa liberdade.

Nossa liberdade irrestrita…

… nossa condenação de sermos livres.

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KIERKEGAARD, Sören. O Desespero Humano. São Paulo: Martin Claret, inverno de 2003, p. 31 e 111.

NOTA: Sobre o existencialismo, clique aqui.

9 Replies to “ÀS VEZES, NO SILÊNCIO DA NOITE”

  1. Aline

    É. Estamos condenados a ser livres. E – lembrando Sartre – a liberdade supõe a escolha, e a escolha supõe a responsabilidade. Não escolher é já ter escolhido. Daí a angústia… No limite, de ser livre. Somos seres despedaçados, sem a quem culpar. Viver é um exercício de imprudência. Mas… Seria possível viver plenamente se não formos imprudentes?

    Numa certa perspectiva, também creio que viver seja um exercício de imprudência. Agora, não sei se é possível vivermos plenamente sem que sejamos imprudentes… Obrigada pela visita e pelo comentário! bjs, Aline

  2. Mas quais seriam os limites da felicidade e da imprudência? Teríamos o direito de ser imprudentes para sermos felizes?

    Sim, teríamos o direito. Até porque acredito na imprudência com responsabilidade. Isso é um paradoxo? ahahaahahah

  3. Gosto muito de Kiergegaard, apesar de ter de admitir que não é de fácil leitura.

    É um desafio e tanto ser livre assim!

    Sem dúvida, é dasafiador. beijos, Aline

  4. Olá, Aline!
    Enfim, eis-me aqui!
    Vamos lá! Gostei muito do formato do seu blog. Um visual bem limpo e agradável. Em relação ao post, o grande problema de ser livre é o fato de tomar decisões. E isso me faz pensar na frase que postei no blog. Às vezes, a culpa nos impede de vivermos melhor. Mesmo assim, no silêncio da noite, prefiro arriscar. Pois, seria angustiante viver sem riscos.
    …definimos a nossa própria realidade.
    Retornarei em breve!
    Abraços!

    Wimys, é bom tê-lo aqui no meu site. Gostaria de receber a visita de todos os nossos amigos em comum. Como não será possível, sinto-me imensamente feliz com o seu comentário, embora eu saiba que vc sempre aparece por aqui – mesmo não deixando comentário. Aproveitemos o nosso silêncio… beijão, Aline

  5. Aline… com sua permissão, quero ressuscitar meu blog, usando aquele e-mail q vc me mandou… vc dá a permissão?! é isso! BJS!!!

    Ester, enviei um e-mail pra vc. beijos, Aline

  6. Hummm… Tenho a impressão de ter postado um comentário a este post… Ou será que foi apenas os planos do comentário que ficaram na minha mente? rs
    Indo um pouco em caminho contrário ao seu texto, a liberdade é uma seta com duas pontas. Podemos seguir em qualquer direção, mas não podemos seguir as duas ao mesmo tempo. Como disse Wimys, o problema é ter que escolher. Porque escolhas implicam responsabilidades, e ninguém quer arcar com a responsabilidade de uma escolha “mal-feita”. Aí por isso muitos deixam de escolher e jogam as escolhas de suas vidas nas mãos de terceiros. Abrem mão de algo que lhes foi dado por medo das conseqüências. Mas como a liberdade nos é inata, foi ela mesma que nos permitiu entregar nossas escolhas nas mãos de terceiros. E acabamos vivendo uma vida livre “sem liberdade”. Não agimos como seres livres, vivemos dentro de uma prisão da qual somos os carcereiros, e ignoramos esse fato. E nos sentimos prisioneiros do trabalho, da família, do relacionamento desgastante, etc…
    Sobre a liberdade eu sempre lembro da frase do meu amigo “JC”: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
    Acho que a verdade que poucos conhecem é que já somos livres. Afinal, um mendigo que tem um diamante no bolso só deixa de ser mendigo depois que descobre o diamante lá.
    Beijos!

    Sim, Rebeca, a liberdade é uma viagem por tudo isso que você falou e mais um pouco de nós mesmos. Amo esta afirmação: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. E, segundo Kierkegaard, “a verdade é a subjetividade”. Obrigada pelos comentários. São sempre bem-vindos. beijos, Aline

  7. Eu amo Kierkegaard! Nestes tempos em que a moda é Nietzsche – inclusive para os que não o leram – este pensador dinamarquês deveria ser mais conhecido, porque seus horizontes são amplos, suas indagações são variadas, e seu alicerce cristão jamais foi desculpa para o obscurantismo; ao contrário, levou-o a desafiar mais, protestar mais, ousar mais.

    Gosto muito de Kierkegaard. Estou tentando terminar “Diário de um sedutor”. Preciso aprender a ir devagar nas leituras, para aproveitá-las melhor. Quanto a Nietzsche, se ele está ou não na moda, pouco me importa… Sei apenas que ele me atrai. Adorei algumas das críticas que ele faz em “O anticristo”. Embora seja desesperançoso, encontrei pensamentos brilhantes! Que só podiam vir de uma alma sensível. “Para além do bem e do mal”, leio, releio, vou e volto, mas nunca finalizo, assim como faço com outros… Enfim. beijos, Aline

  8. Hi. This is really interesting post. Thank You! I have just subscribed to Your rss!

    Best regards

  9. REVELAÇÃO/EXORTAÇÃO
    Urge difundirmos na terra, a certeza de que Jesus Cristo já vive agindo entre nós, espargindo a luz do saber em sí, criando Irmãos Espirituais, e a nova era Cristã. Eu não minto, e a Espiritualidade que esperava pela sua volta, pode comprovar que digo a verdade. Por princípio, basta recompormos as 77 letras e os 5 sinais que compõe o título do 1º. livro bíblico, assim: O PRIMEIRO LIVRO DE MOISÉS CHAMADO GÊNESIS: A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA E DE TUDO O QUE NÊLES HÁ: Agora, pois, todos já podem ver que: HÁ UM HOMEM LENDO AS VERDADES DO SEU ESPÍRITO: ÊLE É O GÊNIO CRIADOR QUE ESSA AÇÃO DE CRISTO: (LC.4.21) ? Então passou Jesus a dizer-lhes: Hoje se cumpriu a escritura que acabais de ouvir: (JB.14.17) ? O Espírito da verdade que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem conhece, vós o conheceis; porque Ele habita convosco e estará em vós. ? Regozijemo- nos ante a presença do Nosso Senhor, e façamos jus ao poder que o Filho do Homem traz às Almas Justas, para a formação da verdadeira Cristandade.

    (MT.26.24) ? O FILHO DO HOMEM VAI, COMO ESTÁ ESCRITO A SEU RESPEITO, MAS AI DAQUELE POR INTERMÉDIO DE QUEM O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO TRAIDO! MELHOR LHE FÔRA NÃO HAVER NASCIDO:

    E, ao recompormos as 130 letras e os 7 sinais que compõem esse texto, todos já podem ler, saber, e entender quem é o Filho do Homem:

    E O FILHO DO HOMEM É O ESPÍRITO QUE TESTA AS ALMAS DO HOMEM E DA MULHER, NA VERDADE DO SENHOR, COMO CRISTO: E EIS A PROVA QUE O FILHO DO HOMEM FOI TREINADO NA LEI CRISTÃ:

    (MC.14.41) ? Chegou a hora, o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores: E hoje, quem quiser interagir com o Filho do Homem Imortal, deve buscar ?A Bibliogênese de Israel?, que já está disponível na internet (Editora Biblioteca 24×7). E quem não quiser, pode continuar vivendo de esperança vã, assistindo passivamente a agonia da vida terrena, à par da auto-destruição do nosso planeta…

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