arriesgarte

Amurallar el propio sufrimiento es arriesgarte a que te devore desde el interior. (Frida Kahlo, pintora mexicana)

“A vida dura menos que um poema”, escreveu o poeta e jornalista baiano Damário da Cruz (1953-2010), em Gran finale, o último do autor de “Todo risco” (A possibilidade de arriscar / é que nos faz homens […]). Ambos os poemas evidenciam, para mim, a angústia própria de nossa condição humana. De suportar dores e sofrimentos no dia a dia de nossa vida. De enfrentar diariamente aquilo que nos impede de viver, as paredes e os muros de nossa existência tão cheia de pedaços (e cortes). Evidenciam, ainda, a brevidade da vida, que até pode nos parecer longa, mas o engano se desfaz cada vez que compreendemos que o agora não existe mais, posto que toda a nossa experiência já se estabeleceu como ontem.

É difícil sustentar as nossas ilusões, mas sabemos: precisamos delas para suportar todo o resto. A sensação é a de que a nossa vida está sempre escapando de nós, e isso também é triste. Tentamos viver (I try that all the time). Tentamos, ainda, não sucumbir às nossas desgraças e desesperanças. E talvez não consigamos. “Certeza de que não vamos por medo dos caminhos”… Essa é a nossa estrada, a nossa agonia de um caminho incerto. Se há alternativas, pensemos que sim. É parte da sobrevivência crer nas impossibilidades. Do contrário, estaríamos ainda mais perdidos… 

… de todo modo, precisamos de um fôlego mais profundo.

One Reply to “arriesgarte”

  1. Tem uma frase de uma música do Titãs que diz “você pode se iludir, mas ilusão custa caro”.
    As ilusões (micro, pequenas, médias, grandes e as essências) são como certos vícios: não importa o valor, imposto ou consequências, estamos dispostos a tê-las.
    QUE BOM!

    Bjo.

    Antonio Balbino

    Olha só quem está por aqui!!! Seja bem-vindo, Antonio. On the road! ahahaha bjos

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