À deriva

As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável. (Madre Teresa de Calcutá)

A pele do outro
por Aline Menezes

A maneira como interpretamos o mundo e encaramos a nossa vida é realmente bem particular. As nossas experiências do passado podem, sim, ajudar-nos a reconhecer o risco iminente de experiências posteriores. Às vezes, é possível observarmos que tudo está em movimento. A vida muda. A dor de ontem vai embora. A de hoje, quase sempre, parece não ter fim. E quando chega um novo dia, percebemos que estávamos enganados em relação a quando pensávamos não haver saída.

Ainda engatinhamos quando o assunto é o coração. Não precisamos ter ao nosso lado pessoas com histórias afetivas empobrecidas. Queremos afeição, amizade, amor. Há aquelas pessoas que, assim como eu, sentem a vida em profusão. Às vezes, sentimos falta de alguém para quem possamos doar o nosso tempo, a nossa companhia… Alguém para quem possamos dizer coisas boas, compartilhar pensamentos, dar e receber um abraço afetuoso e carinhoso. E que possamos fazer tudo isso em contato com a pele. Do outro.
Sinto-me, mais uma vez, neste caminho: quero partilhar a vida; quero partilhar a minha percepção de mundo; quero partilhar o que ainda é possível extrair de bom de meu aprendizado por aqui… Acho que as relações amorosas precisam disto: despertar alegria e esperança mutuamente. Não me interessa gente sem afeição. Não me interessa gente cuja única disposição na vida é alimentar a si mesma. Ou regurgitar o próprio egoísmo.
Se me entristeço quando a esperança me rejeita, ainda posso atravessar o caminho com a fé renovada; se me angustio com a ausência de abraço, reconheço os benefícios da solidão necessária; se me dói perceber que vago sozinha no chão e velejo à deriva dos meus desejos e sonhos, posso escrever…
… e transformar o que sinto em poesia.

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