O corpo de George

O corpo de George
por Marcos Fabrício Lopes da Silva*

A agilidade que esculpe a vida contemporânea exige uma posição de crescente dinamismo. Transpassamos as limítrofes bordas da identidade humana: gênero e sexualidade em trânsito. Faz parte do instigante livro As coisas que as mulheres escrevem (2019) o conto de Aline Menezes, intitulado “O corpo de George”, que ultrapassa o discurso fundante da longa história de repressão sexual no Ocidente para viabilizar uma literatura de contestação e realocação das sexualidades dissidentes. A matriz judaico-cristã da civilização ocidental construiu uma visão deformada da sexualidade humana. É o que se conclui quando se percebe a moral cristã como um divisor de águas na compreensão daquilo que seja moralmente aceitável para a vivência e expressão da sexualidade, sobretudo quando se trata de analisar a construção discursiva que relegou a homoafetividade ao silêncio e à condenação.

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