gravedigger

A solidão também quer dizer isto: ou a morte, ou o livro. Descobrir que só a escrita pode nos salvar. (Marguerite Duras)

O coveiro, a solidão e o silêncio
por Aline Menezes

Há coisas que só fazem sentido no depois, porque no agora somos absorvidos de tal forma pela vida que nos tornamos incapazes de perceber o movimento da existência entre nós. A vida que segue parece nos conduzir para o nada, um nada tão cheio de dúvidas e inquietações… Um nada que existe, que se aproxima da esperança ou da experiência dos cadáveres. 

Estou sob o efeito da vida. Perambulo na agonia de um fardo, um fardo que carrego conscientemente. Arrasto-me até o horário em que não consigo mais enxergar uma saída… Encontro-me, também, completamente anestesiada, às vezes, talvez embriagada e entorpecida por um peso que já não suporto mais levar adiante. São muitas lembranças e muitas memórias acolhidas numa só vida, numa só alma solitária. Num corpo que teima.
Continue lendo “gravedigger”

shine

A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado. (Oscar Wilde)

Os paetês de brilho fácil
por Aline Menezes

Aproxima-se o início de mais um ano. Por conta disso, é comum as pessoas se sentirem ou nostálgicas ou cheias de esperança pela possibilidade de dias mais festivos e menos difíceis. Transitamos entre a melancolia do dia a dia e a euforia do amanhã, entre o cansaço deste ano que se vai e a energia milagrosamente renovada para o ano que virá. Essa espécie de experiência sazonal pode ser vivida por qualquer um de nós, porém, o que mais me chama a atenção neste período do ano é a maneira como nos esquecemos de que, durante todos os outros dias pelos quais passamos, fomos ironicamente impassíveis. 

Continue lendo “shine”