wine

Amy abriu o caminho para artistas como eu e fez todos se animarem com a música britânica novamente, sem medo de fazer graça e ser blasé… (Adele, cantora inglesa)

Há alguns anos, ouvi Amy Winehouse pela primeira vez. Minha paixão por cantoras e compositoras me fez querer ouvi-la, conhecê-la, ler sobre sua voz, suas canções, seu talento. Logo comprei o DVD, gravei Back to Black, comprei a edição de 2008 da Rolling Stone, que trazia a cantora na capa, e passei a frequentar o seu site… Sempre lamentei o sensacionalismo dos tabloides britânicos, que se alimentavam (e se alimentam) dos escândalos e moralismos típicos de uma mída estúpida, de um povo hipócrita. Amy estava pouco se importando com toda essa gente idiota. Que tristeza saber que ela morreu!

Não sou do tipo de pessoa que incute a ideia de que gente talentosa precisa ser autodestrutiva, desesperada, beber compulsivamente, fumar excessivamente, drogar-se, exibir-se, parecer ou ser fora dos padrões… Não alimento nenhum tipo de fascínio pelos vícios, nem deslumbres por esta vida insuportavelmente irritante, desiludida, sufocante, que é esta luta diária nossa de querer viver do nosso jeito. Sabe-se lá o que Amy sentia, quais eram suas dores profundas, suas inquietações… Mas é claro que alguma coisa doía, muito. Assim como dói em qualquer um de nós, exceto nos psicopatas.

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sauvage

Sempre me defendi da hostilidade com muita candidez. (in As teorias selvagens, Pola Oloixarac, p.75)

É este desassossego que me acalma. Que me liberta da prisão do mundo. Que me dá a certeza de um não conformismo, passividade brutal e alienada. Ideias confinadas, à espera da segurança necessária para a exposição. Este silêncio exato, contado, medido, rasgado. É este desassossego que me levanta todas as manhãs e que não me tira o sono completamente.

Meu espírito é morfossintático. E não importa o que isso signifique. Ele é proparoxítono, silábico, abstrato. Mas é ele que sinto: esta inquietação, reboliço, agitação de coisas, sentimentos, às vezes. Locução.

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