maybe

[…] I guess I might have done something wrong, honey, I’d be glad to admit it... (Maybe by Janis Joplin)

Esta não é uma fase underground. Mas concordo que – se estivesse deprimida – certamente teria cortado os pulsos logo após consumir uma overdose de 30 faixas de Janis Joplin. Músicas doloridas e angustiadas, letras de desespero e de certo tipo de esperança. Lindas… gosto disso. Porque não gosto de nada que me deixe anestesiada, sem a capacidade de sentir as coisas e percebê-las. Deve ser por isso minha aversão a bebidas alcóolicas, à estupidez, à alienação.

As plantas me emocionam muito mais que as pessoas. Pois estas são seres estúpidos e hipócritas. Apenas temos a sorte de, às vezes, conhecer alguém melhorzinho, que até se destaca entre os mortais. Conheço alguns desses, são poucos, é verdade… mas existem. Ah, se algumas pessoas soubessem o quanto eu sei sobre elas; o quanto sei que elas não valem a pena; o quanto sei que elas são medíocres…

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wings

Uma voz, harmoniosa e fraca, perdia-se sobre as ondas; e o vento levava os trinados que Léon ouvia passar, ao seu redor, como um bater de asas. (in Madame Bovary, Flaubert, p. 226)

As ruas daquela cidadezinha ainda são as mesmas: largas, cheias de nada, vazias e escuras. São os sons do silêncio que nos ensurdece, malditas esquinas que têm nomes, inúteis. O cativeiro da liberdade, escondida por detrás das margens. Profundas e irreconhecíveis, sinais vermelhos, dando mostras de que agora tudo é perigoso.

Pessoas vagando pela estupidez, mal deste século. Um tipo de cansaço que até nos alivia, havia, ali. Modos infames, pensamentos lascivos, repugnantes. Que dirá de tudo? Que dirá de todos? Que dirá de ninguém? Basta não ser como os outros, não ser como os demais. Basta dizer que se tem o dom de não se ter. Querer.

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