desire

I hurt myself today
To see if still feel…

(Hurt by Johnny Cash)

A metáfora de soltar as velas e navegar longe é o que há de mais delicado para ser dito quando não sabemos exatamente como dizer. Se o que me envolve exige prudência e sensatez, então que me resta senão confiar no caminho sem sortilégios? Sim, já entendi que não posso controlar as circunstâncias.

Permaneço à procura de formas diferentes de viver e sobreviver às minhas transgressões. Esta é a minha existência devassamente santa: revelo minhas misérias cotidianas e históricas, pessoais e impessoais; busco ser honesta, cinicamente honesta. Encontro o caminho desta relativa liberdade. Encontro a cura. Encontro a gratidão.

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own

[…] Skating around the truth who I am
but I know, dad, the ice is getting thin
[…] When you gonna make up your mind

Cause things are gonna change so fast…
(Winter by Tori Amos)

Ao som da melodia suave e perturbadora, reúno mais uma vez minhas lembranças de infância. Cheiro de terra molhada, crianças correndo descalças e o casal de vizinhos de cabelos grisalhos ou brancos. Envolvo-me com o inverno particular que hoje me assombra. Recorro a imagens de uma época em que…

Entre A room of one’s own e tantas outras leituras e biografias, suicídio e disfarces de mulheres escritoras que utilizavam pseudônimos masculinos, misturo recordações e responsabilidades de uma vida que insiste em me tocar. Sinto exatamente o que ouço. Mentira! Alguns sentidos estão dormentes. Mortificados porque.

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