oppression

Human sexual life will always be subject to convention and human intervetion. It will never be completely “natural”, if only because our species is social, cultural and articulate. (Gayle Rubin, p. 199)

A opressão das mulheres e a subordinação social, termos recorrentes no ensaio de Gayle Rubin, de fato não são assuntos tão simples quanto podem parecer e, por isso mesmo, exigem leitura mais ampla da questão. No clássico The traffic in women, Rubin tenta nos apresentar definições mais elaboradas sobre o que ela chama de “sistema de sexo/gênero”. E afirma que esse sistema “envolve muito mais do que ‘relações de procriação’, reprodução no sentido biológico” (p. 167).

Nossas avós e bisavós, não muito longe as nossas mães, dificilmente (ou quase nunca) se sentiam à vontade, muito menos livres (ainda mais porque não eram), para expressar seus desejos ou suas percepções acerca do sexo ou da sexualidade. Aliás, nem elas mesmas se permitiam “querer” falar. Clitóris, orgasmo, pênis, entre tantas outras, eram palavras inexistentes nesse universo ou, pior, impronunciáveis. Sentir prazer sexual não era coisa de ‘fêmea’, mas uma espécie de direito do ‘macho’.

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gefühllosigkeit

Será do tempo? Será do quê? Os meus sapatos rincham, os meus sapatos cantam de alegria. E eu vou andando e aguardando cá de cima – que o seu oculto motivo chegue afinal até meu coração. (Um pé depois do outro, Mario Quintana)

Insensibilidade também é o substantivo que habita a alma de quem nos fere por falta de zelo. Se há coisas finitas – e essas são circunstâncias inevitáveis -, elas não devem ser pretexto para o desbotamento da virtude que um dia existiu. Mentiras são revelações descaradas. E o engano vez ou outra se aproveita de seres apáticos.

Gosto da transitoriedade da vida, mesmo quando ela nos parece assustadora. Gosto quando ideias fixas se rompem. Gosto desta coisa que pulsa aqui dentro, ora esperançosa, ora amedrontada. Mas sempre poderosa para me sacudir o espírito. E me fazer seguir.

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women

Esse negócio de ser mulher é mais difícil do que parecia originalmente. (Judith Butler, filósofa americana)

[…] É claro que ler não é o bastante para apreender a vida e o mundo, ainda que você reúna as melhores obras e reproduza o nome dos escritores como mantra. É necessário sofrer, sentir, suportar. E esse experimento não sai dos livros, não sai das letras, mesmo que a leitura nos eleve às impressões físicas e nos possibilite percepções importantes.

Colocar-se em contato com outros universos imaginários ou dramáticos é perfeito. Mas sempre há algo além da perfeição: e é disso que gosto.

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disguise

 

Cansado da sua beleza angelical, o Anjo vivia ensaiando caretas diante do espelho. Até que conseguiu a obra-prima do horror. Veio, assim, dar uma volta pela Terra. E Lili, a primeira meninazinha que o avistou, põe-se a gritar da porta para dentro de casa: – Mamãe! Mamãe! Vem ver como o Frankenstein está bonito hoje! (O disfarce, Mario Quintana)

 

 

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