decision

A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa. (Roland Barthes)

Mudança de planos; alteração de percurso; troca de turno: a vida nos impele… Aprendo que, às vezes, decisões radicais são a única possibilidade de preservação da vida. Porque a certeza que nos apanha a alma só é real quando acompanhada de esperança. Há caminhos lentos. Esses, os mais dolorosos.

… e assim decido viver, seguindo o fluxo da atmosfera pessoal e intimista. Na melhor perfomance do egoísmo, após a sequência exagerada de ações altruístas demais. Aguardo impacientemente a hora em que me perdoarei pelas escolhas ingênuas e imaturas que um dia fiz.

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lyricism

[…] façamos a mesma súplica de Alfred de Musset: “Poeta, pega tua lira”. Sim, é de verdadeiro lirismo que necessitamos, e não de adrenalina. Rompamos a aliança funesta que se atou entre a sensibilidade e o artificialismo. Recuperemos nossa capacidade de vibrar diante do que é natural e belo. (Michel Lacroix, filósofo francês, p. 203)

Angústia é o nó invisível; é a ausência de espaço dentro de nós. Recolher-se é a alternativa para a alma doída e triste. Ou a covardia para quem não quer expor sua ferida. Definições são tentativas de se explicar ou tornar algo minimamente acessível. E assim sigo: sem a compreensão exata do que nos acontece, mas com a esperança de que há algo menos petrificado no meio do caminho.

… saber dói. Morre-se: quem não enxerga a beleza das coisas naturais, quem depende de artifícios para perceber a distância entre ontem e hoje. Morre-se: quem não se divide ao menos uma vez na vida, para depois tornar-se inteiro. Morre-se apenas. Quem não completa o luto. Luto é não saber como será, mas permitir-se aceitar que já não é. Algo sempre nos arranca a vida.

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