hail

Tornar-se terrorista é uma escolha. Deixar-se cegar pela pura inveja, pelo ressentimento ou pelo ódio também é uma escolha [..]. (Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, p. 159)

Prefiro a dor do corte à anestesia da alma. Quanto aos meus inevitáveis enganos, ajudam-me a refletir sobre a representação figurativa de minha lucidez. Porque somente as coisas abstratas existem de verdade.

Raras são as vezes em que olho para a lua. Talvez uma falha de caráter: confesso. A lua que me atrai só existe em forma de poesia, nos livros ou nos poemas. Assim habito; meu dna insiste em não ser decodificado.

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human bonds

Nenhuma variação do convívio humano é plenamente estruturada, nenhuma diferenciação interna é totalmente abrangente, inclusiva e livre de ambivalência, nenhuma hierarquia é total e congelada. A lógica das categorias imperfeitas preenche a diversificação endêmica e a desordem das interações humanas. Cada tentativa de completar a estruturação deixa grande número de “fios soltos” e significados contenciosos. (Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, p. 93)

Seres melífluos têm caráter duvidoso, mas não me assustam. Somos empurrados para a indelicadeza e a alienação. A atmosfera das sociedades, sobretudo modernas, conspira contra a reflexão. Contra a lucidez. E, quando pensamos, tornamo-nos incômodos para o bando de idiotas que nos cercam.

Até mesmo os seres consanguíneos se repelem. Movidos pela inveja, pelas antipatias gratuitas, pelos complexos formados ao longo da árvore genealógica. E pelas comparações ridículas, infantis e estúpidas. Seres consanguíneos, quando contaminados pela burrice do século, tornam-se brutamontes.

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shadowlands

A morte existe e, seja lá o que for, ela importa. Tudo o que acontece traz consequências, e tanto a morte como as consequências são irrevogáveis e irreversíveis. Você pode, do mesmo modo, dizer que o nascimento não importa. Ao olhar para o céu noturno, pergunto-me se há algo mais certo do que isto… (Lewis, p. 39)

Rápida e indigesta: assim defino esta sociedade fast food, que não tem tempo sequer para as experiências abstratas. Que não mais assimila a solidez dos amores perdidos (ou presentes). Que nos faz adquirir coisas e sensações estúpidas, a exemplo dos meus medos de raios e cigarras. Não são as lágrimas piegas que procuro, mas o encantamento da vida que pulsa em profusão.

Busco o desespero em suaves doses de melancolia. O sentido exato de nossas perplexidades, as contradições internas e em simetrias. Valores meus, só meus. Sem donos nem rostos nem definições, assim: temporariamente sem vírgulas. Minha fé não está em abandono. Ela é concreta – mesmo quando não a sinto tão perto. Tão grande. Tão convicta de ser quem ela é.

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