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Há em nós qualquer coisa de absoluto, que não pode ser qualificada. É o que a sociedade aborrece e distorce. (Virginia Woolf)

É isto que me move:

saber que todos os minutos se passam, mas de hora em hora.

Por que não aceitam nossas ambivalências?

Por que é necessário simular que não somos contradições?

Por que mentem quanto às nossas ambiguidades?

Anjos e demônios não são produções maniqueístas,

tão-somente.

Não são fantasias de ingênuos e crédulos.

Minhas dúvidas não cabem em mim.

É por isto que tanto luto:

resigno-me.

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WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob. Tradução Lya Luft. São Paulo: Novo Século, 2008, p. 197.