EM QUATRO ATOS

A GAIVOTA

encenações, teatro, Anton
inda dura o tempo entre atos
emoções, lágrimas do horror
finge que fingir
é o voo de partida
mas a vida descortina
o espetáculo da dor

De tempos em tempos, tudo se repete. Pessoas vão e voltam. Ideias pouco originais ocupam espaços importantes em nossas vidas. Medos idiotas, intrigas sem sentido, nervos à flor da pele, crises de hipertensão. Entramos em pânico, olhamos atentamente o tilintar das taças de cristais. Ouvimos ou não.

O que nos espera tem vários nomes. Alguns possíveis, outros improváveis. Antes, há coisas parecidas com o Teatro de Moscou: ouvimos falar, mas não tivemos contato. E por aí vai. Tenhamos certeza de que viver acuado é morrer de sede. Ou padecer de desidratação. Deve ser tudo a mesma coisa.

[…] Mas isso só acontecerá quando, pouco a pouco, ao fim de uma longa série de milênios, a lua, a luminosa Sírius e a terra se houverem transformado em poeira…, disse Nina. Ainda não sabemos se ela está certa. E também pouco nos importa isso.

Atos heroicos podem ser enganosos. E também li que “nas obras de arte, deve haver um pensamento claro, bem definido”. Será? Não me contaram abstração. Quem sabe são os caminhos pitorescos da palidez humana. Voltemos a defender: de tempos em tempos, tudo se repete.

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Escrevi o poema “A gaivota” em 25 de janeiro de 2009, data de aniversário de uma de minhas irmãs caçulas.