COISAS BELAS E SUJAS

– Personagem (comprador): Como é que nunca vi vocês antes?
– Okwe (Chiwetel Ejiofor): Porque somos gente que vocês não vêem. Nós dirigimos seus táxis, limpamos seus quartos and suck your cocks.
(Diálogo do filme Coisas Belas e Sujas, dirigido por Stephen Frears, com a atriz francesa Audrey Tautou)

Antropologia e sociologia são algumas das áreas do conhecimento que mais me atraem. Analisar a influência do meio social sobre o homem, entender de que maneira as relações humanas ocorrem, compreender como se formam os preconceitos e o porquê da união de alguns grupos sociais ou até mesmo a desintegração desses grupos.

Em Coisas Belas e Sujas (2002), cujo título original é Dirty Pretty Things, a atuação de Chiwetel Ejiofor (no papel do imigrante ilegal nigeriano Okwe) é tão emocionante quanto o próprio desenrolar da trama. Numa mistura de humor e drama, o filme apresenta a difícil vida de imigrantes ilegais em Londres e aborda o tráfico ilegal de órgãos na capital inglesa.

Particularmente, duas questões específicas me emocionaram: o sentimento de honestidade (paradoxo) e espírito lúcido em Okwe e a condição da mulher diante de homens estúpidos. Interpretada pela atriz Audrey Tautou, Senay é uma jovem turca de 22 anos. Num momento em que se encontra sem saída, ela se submete aos caprichos sexuais de dois homens bizarros.

O filme de Stephen Frears é assim: bonito e triste, com coisas belas e definitivamente sujas.

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DESINTEGRAÇÃO DO ÁTOMO

É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. (Albert Einstein)

Às vezes, nossa credulidade nos faz pensar que poderíamos mudar o mundo. Que poderíamos alterar o curso das coisas desonestas, impuras, corruptas. Às vezes, nossa ingenuidade nos faz acreditar que a lucidez é o melhor remédio. De repente, num súbito momento de fraqueza humana, damo-nos conta de que nem todos os espíritos estão em sintonia conosco. Que nem sempre as pessoas prezam pelo que há de belo na vida. E que a mentira é o substantivo comum, de fato. Se nos parece ridículo ser bom. Se nos parece ridículo a busca pela “verdade”. Se nos parecem ridículas e menos inteligentes as questões subjetivas. Se nos parece ridículo compreender que o outro é tão solitário e carente quanto nós mesmos, eis a desgraça do homem: não se esforçar para que as coisas sejam melhores, ainda que elas nunca venham a existir.