PORQUE TODOS SE MACHUCAM


(…)
‘Cause everybody cries
And everybody hurts
Sometimes

(…)
If you’re on your own
In this life
The days and nights are long
If you’re sure you’ve had too much
Of this life
To hang on…

(Everybody Hurts by The Corrs)

Às vezes. Todos choram. Às vezes. Os dias parecem noites. Sim, às vezes. Nem mesmo o conforto há. E o que nos resta? Se não importa o quanto nos sentimos machucados… E o que nos resta? Se não importa o quanto ainda há feridas… E o que nos resta? Se, às vezes, deixamos de existir.

Às vezes. Todos parecem idiotas. Às vezes. Todos parecem pouco inteligentes. Nada sabem sobre as estrelas. Nada sabem sobre os rios. Nada sabem sobre as letras. Sobre os poetas. Sobre nós. Nada sentem. Mas somente às vezes. Porque todos se machucam.

Sim, às vezes. Todos correm em vão. Sobreviventes de pequenas guerras da alma. Pequenos deslizes. Falhas. Mas somente às vezes. Armadilhas escondidas. Sozinhos seremos. Às vezes. Apagam-se as luzes. Fecham-se as cortinas. E o que nos resta? Se, às vezes, perdemos a fé.

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Nota: Embora ele esteja indicado neste site, caso o vídeo seja excluído do YouTube, lembre-se de que você não conseguirá visualizá-lo.

SACRIFICE (BY ANOUK)


You can sacrifice me
You can sacrifice me
You can set me free
You can be who you wanna be…

Ela aprende que há sacrifícios que não valem a pena. Que há outras formas mais honestas de se viver a vida. O tempo faz curvas. E ele mesmo é relativo. Mas não nos peçam para explicar. Nem sempre as respostas são importantes. Será mesmo que podemos ser quem queremos ser? Eles podem nos sacrificar. Desafiaram-nos a expressar o que sentimos. Sim, ela precisa de liberdade. Não quer mais a chave da escuridão. Porque há sacrifícios que não valem a pena. E nos chamaram tolos.

É o dia-a-dia que nos compromete. É nele que há todas as maneiras equivocadas de sermos quem não deveríamos ser. E nem valem a pena certos sacrifícios. Não. Não valem. Choraram flores. Riram-se as lágrimas. Porque elas não podem ser quem elas querem. Às vezes, descobrimos da maneira mais difícil que não era para ser assim. E quem poderia nos dizer o contrário? Ela apenas aprende que há sacrifícios que não valem a pena…

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Nota: Embora ele esteja indicado neste site, caso o vídeo seja excluído do YouTube, lembre-se de que você não conseguirá visualizá-lo.

LUCKY WOMAN

Seus olhos encontraram-se instantaneamente. As faces de ambos ficaram ruborizadas. Teve o rapaz um visível sobressalto. Por um momento, pareceu imobilizado pela surpresa. Recuperando a calma, adiantou-se para o grupo e falou com Elizabeth, não muito tranqüilo, mas em termos de natural cortesia. (p. 95)

Será possível amar as pessoas como se não houvesse amanhã? São todos como gotas d’água. Como grãos de areia. Ela acredita que é só um vento lá fora. E nem está com medo. Abriu as janelas do quarto e lá estavam os pássaros dizendo ser a humanidade desumana.

Selvagens como todos aqueles que passaram por nós. Sem a ilusão de que esses sentimentos seriam eternos. Não, não temos tempo a perder. E bem nos disse: a tempestade era da cor de seus olhos. Talvez castanhos. Agora que ela está livre para ser feliz de verdade. E quem sabe o que aconteceu…

Não por acaso, ela é uma garota de sorte.

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AUSTEN, Jane. Orgulho e Preconceito. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

ODE CRISTALINA

LIÇÃO

Tarde, a vida me ensina esta lição: a ode cristalina é a que se faz sem poeta. (Carlos Drummond de Andrade)

Vez ou outra, temos a sorte de encontrar pessoas com as quais podemos dividir a nossa alma. Pessoas que possuem a percepção exata do que significa aproveitar a vida. Pessoas que – mesmo imperfeitas como nós – parecem angelicais. Porque dentro delas há sempre espaço para nutrir o que é puro, o que é honesto, o que é afável.

Há momentos em que precisamos continuar descalços, principalmente quando os nossos pés estão cansados e feridos. Enquanto andamos desprotegidos, Deus sempre providencia os nossos guardiões.

Aquelas espécies de anjos.

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ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. 16ª edição. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002, p. 85.

ALMA E ESPÍRITO DESPEDAÇADOS

Hoje, há meninos que ficam com 40 meninas numa noitada. E há meninas que ficam com 20 meninos no mesmo lugar e período. Ninguém sabe o nome de ninguém…

É um corpo. É uma boca. É um par de peitos. De coxas. É uma fêmea. É um macho. É um número. É um holograma de carne. Isso quando é só uma esfregadinha e uma chupada no fórnice…

De fato, vejo o que está acontecendo não com olhar moralista, que não possuo; mas, sim, com o olhar de quem vê os estragos para o espírito, para a saúde da alma, para o equilíbrio do ser. (Caio Fábio)

(…) há aqueles que não são inteiros. Não se expressam. Não sabem como se expressar. Não sentem. Não sabem como sentir. Não falam. Não sabem como falar.

(…) há aqueles que não são inteiros. Não se sensibilizam. E não conhecem a sensibilidade. São duros. São frios. São egoístas. São incapazes. São entorpecentes.

Acredito que vale a transcendência do que sentimos, a valorização de nossas emoções, a recepção da graça do ser sensível. Se ser assim é correr o risco de sofrer pela frieza do outro, ainda assim prefiro a delicadeza e a honestidade ao que sinto à conveniência de não ser inteira. Porque ser inteiro dói.

Mas é melhor que ser metade.

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Citações extraídas da carta “Os Namorgados”.

LIBERDADE DO TEMPO

Há mesmo cidades sensuais, concentradas na espera ansiosa de quem, macho, logo as domine. Abrem-se as portas de tal modo que são coxas, braços abertos. (Carlos Drummond de Andrade)

(…) e nem todos pensam. Sentem-se menos sozinhos. Porque eles têm. A mentira não compensa. Honestos; leais; humanamente pecadores. As propriedades da vida. Reconhecimento mútuo. Alegria de compartilhar as faltas. Aliviar a bagagem uns dos outros. E assim deve ser.

Nada vale a pena, se não houver admiração, sensibilidade. Beleza. Mesmo nas coisas feias. Perfeição é o ideal dos tolos. É neurose. São as coisas imperfeitas que me animam. Que me dão prazer. Afinal, somos homens. Seres terrivelmente desalinhados…

… e, às vezes, suavemente encantadores.

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ANDRADE, Carlos Drummond de. Trecho do poema Ouro Preto, Livre do Tempo. In:____ Corpo. 16ª edição. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002, p. 87.

O BEIJO ERÓTICO

O beijo erótico, que envolve os lábios e a língua, é uma parte do jogo amoroso. Quando o casal se beija com a língua (no chamado “beijo da alma” ou “beijo francês”), a língua reflete e liga diretamente seus corações, enquanto os lábios dão e recebem afeto mútuo. Além disso, os meridianos Vaso Governador e Vaso Concepção de cada parceiro estão ligados aos lábios e à língua, fazendo, como já dissemos, um circuito completo de fluxo de energia quando o casal se beija. (p. 99)

E ouço os gritos silenciosos nas ruas por onde passei. Acompanhada daquele encantamento que só os apaixonados sabem demonstrar. Impulsionada pela certeza de que este é o momento dos corpos entrelaçados. Das posições proibidas. Da arte secreta da Câmara de Jade. De posturas místicas. Ele deitado de costas. Move-se. Ela.

Corpo. Carne. Volúpia. Dos olhos, nascem belezas. De encontros, nascem os lábios. Os ruídos, os pequenos suspiros. O relaxar dos músculos. Batimentos cardíacos. Delírios saudáveis dos instantes. Instintos maiores. Em carícias e beijos. Suaves olhares. Cheiros. Sabores. Perfeita harmonia. Compatíveis movimentos…

… para cima e para baixo.

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CHIA, Mantak & WEI, W. U. Reflexologia sexual: o tao do amor e do sexo. São Paulo: Cultrix, 2002.