SECTARISMO: NÃO CABE A VOCÊ SEPARAR O JOIO DO TRIGO

As igrejas e os partidos políticos tendem a dividir a humanidade em dois blocos: seus adeptos são o trigo; seus opositores são o joio. Porém, Jesus não joga o jogo do sectarismo. Sua mensagem não exclui ninguém e traz ao primeiro plano o homem com suas contradições e com sua liberdade. A lição que precisamos aprender é que o joio, que projetamos fora, encontra-se também em nosso interior. E só a maturidade nos permite diferenciá-lo do trigo. Admitir que temos um lado mesquinho poderia nos ajudar na busca dessa sabedoria madura. Negar a existência dessa pequenez pode produzir efeitos desastrosos. Pior: aquilo que expulsamos com orgulho pela porta da frente tende a voltar sorrateiramente pela porta dos fundos. Não espanta que o mundo esteja cheio de padres pedófilos, pastores ladrões, mulás fanáticos etc. A repetição mecânica dos textos sagrados não confere santidade a ninguém. (Revista Claudia, nº 12, ano 45, dezembro de 2006, reportagem As Palavras de Jesus Cristo à Luz do Século 21)

O fanatismo religioso – assim como a fome nos países pobres – mata; a intolerância – assim como as doenças infecto-contagiosas – precisa ser combatida. E o combate, no caso da intolerância (seja ela de que nível for), pode começar no coração de cada um, na consciência de que não temos nenhum direito sobre o caminho que o outro decidiu seguir. Penso que nada há de mais ridículo do que a ilusão de que nossas escolhas são melhores que as escolhas do nosso próximo. Nada há de mais ridículo do que a “falsa certeza” de que eu sou o trigo, e você é o joio.

O RETRATO DE DORIAN GRAY

Famoso por suas atitudes anti-convencionais e por ter escandalizado o mundo literário de sua época, Oscar Wilde é um dos grandes escritores da literatura inglesa. The Picture of Dorian Gray (1891) é o título original de sua obra-prima mais intrigante.

Frases

A finalidade da vida é para cada um de nós o aperfeiçoamento, a realização plena da nossa personalidade. Hoje, cada qual tem medo de si próprio; esquece o maior dos deveres: o dever que tem consigo mesmo. Naturalmente, o homem é caridoso. Dá de comer ao faminto, veste o maltrapilho. Mas a sua alma é que sofre fome e anda nua. A coragem abandonou a nossa raça. Talvez nunca a tenhamos tido. O temor da sociedade, que é a base da moral, e o temor de Deus, que é o segredo da religião… eis as duas coisas que nos governam. (Lorde Henry, p. 28)

Posso ser solidário com tudo, menos com o sofrimento. Tenho-lhe aversão. O sofrimento é hediondo, horrível, desalentador. Nessa simpatia moderna pela dor, há qualquer coisa de mórbido. O que se deve estimular é a cor, o belo, a alegria de viver. Quanto menos se iludir às tristezas da vida, tanto melhor. (Lorde Henry, p. 45)

Sempre há um quê de ridículo nas emoções das criaturas que deixamos de amar. (Oscar Wilde, p. 81)

Possivelmente, nunca parecemos tão à vontade como quando temos de representar um papel. (Oscar Wilde, p. 143)

O amor vive de repetição; e a repetição converte o apetite em arte. Ademais, toda vez que amamos, é o único amor da nossa vida. A diferença de objeto não altera a unidade da paixão. Intensifica-a, simplesmente. Cada um de nós tem, na existência, no mínimo uma grande aventura. O segredo da vida é reeditar essa aventura sempre que possível. (Lorde Henry, p. 158)

As coisas de que temos certeza absoluta jamais são reais. (Lorde Henry, p. 171)

(…) De resto, o que mais lhe doía não era a morte de Basil [Hallward] – era a morte, em vida, da sua alma. (Oscar Wilde, p. 175)

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WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. São Paulo: Martin Claret, verão de 2006.

DOIS MIL E SETE

Para os que desejam aproveitar melhor este ano que começou hoje, sugiro que sejam (ou continuem) verdadeiros, honestos, francos, sinceros, sorridentes…

… não tentem agradar a todos, porque isso será desastroso;

olhem nos olhos das pessoas quando elas falarem com vocês e quando vocês falarem com elas;

respeitem quem é diferente de nós, e que respeitem suas próprias diferenças;

evitem mentir, mesmo em situações “bobas”;

não sejam fingidos e/ou dissimulados (dois defeitos imperdoáveis!);

permitam-se ficar chateados, o que não significa remoer as mágoas pelo resto da vida;

permitam-se decepcionar os outros, ainda mais aqueles que “adoram” criar expectativas sobre nós;

aprendam a identificar rapidamente quem, de fato, merece sua confiança;

não sejam politicamente corretos;

não tenham medo de expor suas idéias, seus anseios, suas opiniões, ainda que elas contrariem um público “feroz”, predisposto a nos atacar;

(…)

enfim, tomem muita água, principalmente quando se sentirem peixinhos fora d’água.

Beijos em todos vocês!