O OUTRO

Por Aline Menezes

A dor que não se sente
não é dor no outro nem na gente.
Dizer-se doído pode não emocionar,
pode não fazer o outro chorar.

O choro que engasga,
a dor que no peito aperta;
no outro pode não ser dor,
porque no outro, nada me interessa.

Quem dera todos olhassem
para nós com mais amor,
que pouco a pouco se importassem
com a solidão que em nós restou.

Em tempos tão modernos,
parece que nada mudou:
o homem continua egoísta,
orgulhoso e coisas assim…
Mas quem se importa com o outro?
Antes nele, do que em mim.

O que me inspira para escrever
não é nada que não o homem;
suas angústias, suas dores,
as amarguras sem nome.

O que sinto, só eu sinto
E o outro pode sentir também.
Que sejamos solidários,
porque ser gente é
melhor que ser ninguém.

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Escrito hoje, às 11h40, levemente inspirado no egoísmo do homem.

LYA LUFT

Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem.
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Fonte: Releituras

FORA DO CAMINHO

Um indivíduo cristão pode achar por bem abster-se de uma série de coisas por razões específicas – do casamento, da carne, da cerveja ou do cinema; no momento, porém, em que começa a dizer que essas coisas são ruins em si mesmas, ou começa a fazer cara feia para as pessoas que usam essas coisas, ele se desviou do caminho.

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LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples: edição revista e ampliada, com nova introdução, dos três livros: Broadcast Talks, Christian Behaviour e Beyond Personality; tradução Álvaro Oppermann, Marcelo Brandão Cipolla; revisão da tradução Luiz Gonzaga de Carvalho Neto, Marcelo Brandão Cipolla; revisão técnica Omar Alves de Souza. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 104.

POLITICAMENTE OMITIDO

Parodiando C.S. Lewis, não precisamos de mais partidos (ditos) “cristãos”, não precisamos de mais autores de livros devocionais ou de música gospel. Precisamos – ou melhor, estamos desesperadamente necessitados – de autênticos cidadãos autenticamente engajados com os problemas do seu tempo e da sua sociedade, exercendo os seus dons e talentos para fazer diferença nesse mundo, sendo menos coniventes e menos “gado”[1]. Quem sabe assim possamos evitar mais declarações da morte de Deus. (Gabriele Greggersen, em artigo intitulado “Politicamente omitido”, publicado no site Teologia Brasileira )

[1] Metáfora usada por Nietzsche para designar a condição daquele que Proudon batizaria “proletário”, ou seja, o despojado de tudo, exceto a prole, e preparado para uma única coisa: o abate.
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Para ler íntegra do artigo, clique aqui.

UM DEDO DE PROSA

Edição Especial – Política
Por Joésio Menezes

(…) tento ficar alheio à situação política do país, mas… impossível! Sinto-me cada vez mais “antenado” aos acontecimentos e bem próximo do “toca dos leões famintos”, porém sem forças para desvencilhar-me da “armadilha” que a Constituição Federal me impôs: O DEVER DE VOTAR, que para alguns é um direito de exercer a cidadania, o qual, lamentavelmente, vejo sucumbir-se em meio ao “mar de lama” que há muito tempo jorra pelos “politicodutos” do nosso país, cujo produto final (já lavado) deságua em paraísos fiscais.

A política já não mais é “a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis”, mas sim “a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais” ou ainda a “higiene dos povos de moralidade estragada”, como bem definiu Rui Barbosa em seu texto Política e Politicalha.

Já há algum tempo que a Política deixou de ser política para tornar-se uma profissão exercida, na maioria das vezes, por profissionais inescrupulosos “Grileiros, Turistas Sexuais, Violadores de Painel Eletrônico, Mensaleiros, Sanguessugas, Mercadores de Dossiês, dentre outros” que de quatro em quatro anos invadem nossas casas por meio da televisão e/ou de panfletos, prometendo-nos as mesmas coisas de outrora; declarando-se “apaixonados” pela nossa cidade; mostrando-se “preocupados” com os problemas do nosso país; revelando-se “solidários” às causas do nosso povo… É muito cinismo com requintes de hipocrisia, não é mesmo?

Mas, apesar dos pesares, a política (ou seria a politicalha?) ainda é capaz de provocar em muitos de nós inspiração literária. Diante disso, não poderia eu deixar de render uma homenagem a todos nós, pobres eleitores amantes da literatura. Assim sendo, deixo a todos uma EDIÇÃO ESPECIAL do Portal da Poesia, cujo tema é POLÍTICA.

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P.S.: Obrigada a todos os que deixaram comentários de “Feliz Aniversário” para mim.