OH, I DON’T BELIEVE!

Parte dos britânicos considera mulheres “culpadas por estupro”

da BBC, em Londres

Pelo menos um terço das pessoas na Grã-Bretanha acreditam que uma mulher é responsável, de forma parcial ou total, por ser estuprada se ela tiver flertado com o homem, segundo pesquisa da organização Anistia Internacional. A pesquisa ouviu mil pessoas e constatou também que 25% acreditam que ela é parcialmente culpada se usou roupas reveladoras ou estava bêbada.

A Anistia diz que o resultado da pesquisa é “verdadeiramente chocante”.

Também foi constatado que a maioria das pessoas na Grã-Bretanha não tem idéia quantas mulheres são estupradas no país e nem se são poucos os casos comunicados à polícia que resultam em condenação.

Números

O número de estupros em 2004/5 na Grã-Bretanha chegou a 12.867, cerca de 4% mais do que no ano anterior, mas a polícia acredita que apenas 15% dos casos foram denunciados. E só 10% deles resultaram em condenação.

Mas quase todos os britânicos, 96%, disseram não saber a verdadeira extensão dos estupros no país ou pensaram que eram muito menos do que os que são registrados.

Apenas 4% acham que o número de mulheres estupradas por ano passa de 10 mil.

A pesquisa faz parte da campanha da Anistia Internacional Pare a Violência contra Mulher.

“É chocante que tantas pessoas joguem a culpa de ser estuprada sobre as próprias mulheres, e o governo deve fazer algo para se contrapor a essa ‘cultura da culpa’ machista”, disse Kate Allen, da Anistia Internacional.

“O governo tem o dever internacional de prevenir essa violação dos direitos humanos, mas está claro que as políticas do governo com relação a estupro estão fracassando.”

QUANDO NIETZSCHE CHOROU

Comecei a ler o romance de Irvin D. Yalom. O que me chamou a atenção no livro foram as personagens escolhidas por Yalom para composição da história: Josef Breuer, Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche, Lou Salomé e outros…

Devido o meu interesse pelo estudo da natureza humana, procuro compreender melhor as idéias e obras de Freud e Nietzsche. Por conta desse interesse, tudo que diz respeito a eles acaba me atraindo.

É uma pena que a religião, quase sempre (ou sempre), ande na contramão da natureza humana, no sentido de tentar negar o que de mais belo temos: nós mesmos.

Um dos momentos mais proveitosos e valorosos da minha vida é o momento em que eu dedico à leitura. É quase que um momento sagrado (por que não sagrado?).

Recordo-me que, aos 11 anos, escrevi o meu primeiro texto, uma tentativa poética “de poetizar”… Não estava preocupada se seria um bom poema ou não. Queria apenas navegar no mundo das idéias, lugar onde você e eu seremos sempre livres…

Felizmente livres.

GOSTO DA IRREVERÊNCIA DE MACHADO DE ASSIS

Dedico este post a minha irmã Cecília, que é fã de carteirinha de Machado de Assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1889) são responsáveis pela admiração que passei a ter pelo romancista* carioca. A sua maneira irreverente de escrever e a de “cutucar” o leitor são, para mim, sensacionais. Seu sarcasmo, perfeito!

PEQUENAS CONSIDERAÇÕES

Memórias Póstumas… – Uma vez que a obra é narrada por um “defunto autor”, Brás Cubas critica livremente as hipocrisias das pessoas com quem ele conviveu. E eu gosto dessa liberdade e da perspicácia de Machado de Assis neste livro.

Dom Casmurro – É narrado em primeira pessoa pelo protagonista masculino Bentinho (Dom Casmurro), que está desiludido, velho e solitário. Ele conta sua história ao lado de Capitu. Enquanto é feita a pergunta “Capitu traiu ou não traiu Bentinho?”, vou pensando na criação das personagens… E visualizando cada uma delas… Capitu, uma menina dissimulada. Bentinho, um desiludido. As interrupções que o autor faz para falar com o leitor são irônicas, mas bem humoradas…

*escritor, jornalista, poeta, cronista, contista, dramaturgo, novelista, crítico e ensaísta.