(…) PERDEMOS PARTE DE NOSSA COLHEITA POR FALTA DE CONFIANÇA MÚTUA

Teu milho está mais maduro hoje. O meu estará amanhã. É vantajoso para nós dois que eu te ajude a colhê-lo hoje e que tu me ajudes amanhã. Não tenho amizade por ti e sei que também não tens por mim. Portanto, não farei nenhum esforço em teu favor. Sei que, se eu te ajudar, esperando alguma retribuição, certamente me decepcionarei, pois não poderei contar com tua gratidão. Então, deixo de ajudar-te e tu me pagas na mesma moeda. As estações mudam. E nós perdemos parte de nossas colheitas por falta de confiança mútua.* (DAVID HUME)

UM POUCO SOBRE O AUTOR – David Hume é um dos mais célebres filósofos da Época Moderna. Nasceu na Escócia em 7 de maio de 1711 e faleceu nesse mesmo país em 1776. Aprendi a gostar de estudá-lo, quando fiz um trabalho sobre sua vida e obra. Cursava o primeiro semestre da faculdade de jornalismo.

Em sua juventude, Hume encarava seriamente a religião e seguia uma lista de preceitos morais tirados do livro The Whole Duty of Man, um devocionário calvinista. Mas, após muitos conflitos e preocupações acerca das provas da existência de Deus, visto que ele recebeu influência de céticos e ateus, sua vida tomou um outro curso…

Pretendo ler “Tratado da Natureza Humana”, escrito quando estudou na França.

(Frase extraída da Folha de São Paulo, edição de 12 de setembro de 2003, na editoria de Opinião, caderno A, página 3A)

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES*

E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. (Efésios 5:2)

Em geral, as passagens bíblicas precisam ser interpretadas (ou reveladas) seguindo (ou segundo) o seu contexto histórico, cultural e et cetera… A propósito, não fazer isso implica a série de equívocos que tanto temos ouvido e lido por aí. No entanto, existem versículos que já trazem sua beleza explicitamente. Que eles são a própria ‘revelação já revelada’ de Deus!

O amor com que Cristo nos amou não foi e não é um amor moral. E o que seria esse amor moral? Uma espécie de ‘o amor, enquanto o objeto amado se mostrar moralmente aceito por nós’. Se o objeto amado se mostrar, em suas idéias ou comportamentos, imoral, meu amor então deixar de existir. O que é lamentável pensar assim!

Aliás, sobre a moralidade, vale ressaltar uma frase do filósofo Nietzsche (1844-1900), em que ele diz que “a moralidade é o instinto do rebanho no indivíduo”. E é no existencialismo (corrente filosófica da qual Kierkegaard é conhecido como “pai”) que a existência humana é questionada (nota: eu não questiono como eles!). Será que o amor faz parte da natureza humana? Deixo essa para vocês.

O amor com que Cristo nos amou não foi e não é um amor condicional. E o que seria esse amor condicional? Aquele amor que, para existir, impõe uma condição. “Se você fizer isso, eu o amarei.” “Quando você fizer isso, então eu o amarei.”

O amor com que Cristo nos amou é honesto, é puro, é separado (santo)… Ou seja, é amor.

A suavidade dessa revelação está exatamente em não ser um amor condicional, moral ou menos do que aquilo que Ele de fato é: AMOR!

*(Geraldo Vandré – Maracanãzinho, 1968)