FUJAMOS DA APARÊNCIA DO BEM

Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. (Lucas 7:39 RC)

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo. (Mateus 23:23,24 RC)

Jesus repreendeu os escribas e fariseus. O motivo? Eles se preocupavam com as questões exteriores e negligenciavam as questões de fato importantes.

Nos círculos “religiosos”, não é dificil observarmos que o “ensinamento” dos escribas e fariseus continua… Gente que impõe o fardo da religiosidade, que exige do homem o enquadrar-se na aparência do bem.

Quanto a isso, Jesus disse: Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los. (Mateus 23:3 e 4 FC)

Meu Deus! Que arrogância e presunção é a nossa, de nos julgarmos bons! Como? Se até mesmo nossas obras, para Deus, são como trapos de imundície!

Há algum tempo que minha alma está inquieta quanto ao Cristianismo que vemos hoje ser propagado. Tantas aberrações! Tantos enganos! Tanta aparência! E o Evangelho é tão simples… tão puro… tão contrário a toda essa versão distorcida de um Cristianismo anti-humano.

Entristeço-me quando vejo e ouço “evangélicos” se auto-intitulando os únicos protegidos e queridos por Deus. Que grande tolice essa nossa! É o Senhor quem sonda os corações dos homens. É o Senhor quem conhece a alma humana.

Portanto, amados, não nos deixemos contaminar pela aparência do bem. Sejamos tão-somente o que somos. Sem máscaras, sem aparências, sem preocupações com questões exteriores… Antes de qualquer coisa, vivamos a simplicidade do Evangelho, poise ele, em nenhum momento, prega que somos bons porque não fumamos, não bebemos, não vamos ao cinema, não dançamos…

Os santos das Escrituras eram assim chamados não por já serem puros, mas porque eram separados para a pureza. (R. C. Sproul, em A Santidade de Deus, página 169).

SIMPLICIDADE – É O QUE CRISTO NOS ENSINA

“O grande pecado é tratar com irrealidade a natureza humana!” (Caio Fábio)

A vida cristã, a meu ver, precisa ser encarada com serenidade. As imposições e neuroses lançadas sobre a vida dos cristãos é um mal que tem afetado principalmente as mais insensíveis das almas.

Não se cobre. Não seja manipulado pela versão distorcida de um cristianismo anti-humano. Olhe para Cristo, para a simplicidade com que ele percorreu a terra, para a beleza que havia em seu andar. Cristo era simples! Deus é!

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (João 8:36 FC)

Sejamos livres! Tenhamos almas livres!

Liberdade é poder fazer essa escolha. E nós podemos fazer essa escolha. Não permitamos ter nossas almas aprisionadas, mas, antes, libertemo-nos da prisão que é querer ser cristão fora de nossa humanidade. Não somos sobrenaturais!

Logo no início de minha conversão, aos 17 anos de idade, aprendi muita coisa boa com meu pastor daquela época (pausa: ah, que saudades do pastor Timóteo!). Uma das coisas que ele me ensinou foi: Aline, ser crente (ou cristão) não é viver sobrenaturalmente, com perfeição, sem erros, sem pecados, sem falhas… Ser crente (ter um coração convertido) é permitir-se ser guiado por Deus, tão-somente.

Permita-se ser guiado pelo Espírito!

Não lute contra sua humanidade [esse combate não é pra ser combatido], pois todo o esforço só será em vão.

Sejamos cristãos sadios… Sejamos crentes sadios, desprovidos de quaisquer comportamentos doentis…

É o convite que faço para este novo ano de 2005!