THINK
[...] Iedereen kijkt, maar niemand zegt wat hij denkt
Iedereen lijkt, maar niemand is wie je denkt.
[...] Todo mundo olha, mas ninguém diz o que pensa
Todo mundo olha, mas ninguém é o que você pensa.
(Stil In Mij by Van Dik Hout)
... cada dia que passa, a certeza aumenta: descubro que há um misantropo em mim. Riscos de tédio desenham meu humor. A mediocridade me apavora. O fingimento me assusta. E nada disso me surpreende. Fico irritada com a brutalidade que incide sobre a inocência. Com a culpa por ser o que se é. Escrevo porque me faltam palavras.
Vejo que não enxergo e sinto o que não percebo: não gosto de pessoas; gosto de gente. Sim, porque pessoas são seres entediantes. Gente é o esforço de não dar ao outro o que se tem de pior. Pessoas são seres pintados sem tinta nem cor. Gente é o preto e branco ilustrado. E não quero ser interpretada.
Minha voz não é o que ouço lá fora. Aqui dentro os sons são diferentes. A melodia envelhecida está sempre nova. Porque não me conformo com a agitação mentirosa. Ou com o silêncio sem sentido. Nem me adapto aos sorrisos gelados, ou às notas equivalentes. O que sou está no infinitivo. Isso já é o bastante.
A arquitetura da alma, nela não me calo nem me coloco de olhos fechados. Estendo os braços para ampliar minha construção: não quero ser superfície. Porque minhas fraturas seguem o fluxo da dor. Profunda e forte, intensa e suave, breve e demorada. É assim o meu caminho: particular e sem remendos. Inteiro, mesmo quando em pedaços.

3 comentários
No resto do tempo finjo que não vi nem percebi, só para não ser incomodada.
Bela reflexão.
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