A paz já se diluiu rapidamente na luz dos dias vulgares. (Virginia Woolf)
Sob o manto de uma paisagem bucólica, encontro-me densa, profunda, infinita. Atravesso o desejo, impetuoso sempre, sutil, inexplicavelmente sutil. Sinto-o, sinto-me, toco-me. Apenas sabemos a grandeza desta catedral, construída há anos sob a aparência de uma frágil capela. Cada dia, volúpia ingênua, nua. Sobe e desce lentamente, len ta men te. Mais uma vez: nenhuma daquelas experiências me fez sentir tão viva quanto o dia em que... Sim, meus pensamentos ecoam.
Neste corpo cálido, pálido, válido, a embriaguez vulgar dos dias frios. Estas árvores, arbustos, plantas... cenário. Sob o manto de uma paisagem bucólica, encontro-me densa, profunda, infinita. Concentro-me, tento, revolvo a leve loucura deste dia. Intrepidez necessária. Insinuo, diminuo, continuo... Permaneço em silêncio, rio dias a fio, choro, imploro, procuro, admiro. Inquieto-me numa tensão insuportável, portátil.
Leia o texto completo »[...] Skating around the truth who I am
but I know, dad, the ice is getting thin
[...] When you gonna make up your mind
Cause things are gonna change so fast...
(Winter by Tori Amos)
Ao som da melodia suave e perturbadora, reúno mais uma vez minhas lembranças de infância. Cheiro de terra molhada, crianças correndo descalças e o casal de vizinhos de cabelos grisalhos ou brancos. Envolvo-me com o inverno particular que hoje me assombra. Recorro a imagens de uma época em que...
Entre A room of one's own e tantas outras leituras e biografias, suicídio e disfarces de mulheres escritoras que utilizavam pseudônimos masculinos, misturo recordações e responsabilidades de uma vida que insiste em me tocar. Sinto exatamente o que ouço. Mentira! Alguns sentidos estão dormentes. Mortificados porque.
Leia o texto completo »Há em nós qualquer coisa de absoluto, que não pode ser qualificada. É o que a sociedade aborrece e distorce. (Virginia Woolf)
É isto que me move:
saber que todos os minutos se passam, mas de hora em hora.
Por que não aceitam nossas ambivalências?
Por que é necessário simular que não somos contradições?
Por que mentem quanto às nossas ambiguidades?
Anjos e demônios não são produções maniqueístas,
tão-somente.
Não são fantasias de ingênuos e crédulos.
Minhas dúvidas não cabem em mim.
É por isto que tanto luto:
resigno-me.
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WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob. Tradução Lya Luft. São Paulo: Novo Século, 2008, p. 197.