Homo sapiens »

[ 13 de Julho de 2009 | 9 feedbacks » | 1579 visualizações]

E, quando duvido, não me culpo. Não sofro com dúvidas, pois o que me move em fé não deixa que qualquer que seja a dúvida me moleste como tal. (Caio Fábio)

Certa vez, alguém delicadamente me disse: "Aline, gosto muito de você, mas você tem muitas certezas". Essa afirmação veio logo após conversarmos sobre diversos assuntos. E, claro, isso me foi dito com "ares de certeza", o que só indica o quanto somos contraditórios e pouco lúcidos. Minhas imperfeições, minhas dúvidas, meus excessos, minhas falhas, minhas contradições... nada disso ocupa lugar essencial em minha vida. Talvez, por isso, o que em mim me move contra o fluxo desta existência - tão histérica, possessiva, incerta - seja, para o outro, pouco importante ou incômodo.

Como não me contive diante da crítica disfarçada de "mera observação", insisti em continuar por e-mails. Ao que ele ingenuamente disse: "gosto mais de minhas dúvidas do que de minhas certezas". Inquieta e provocativa, lá fui eu: "lamento que suas certezas sejam tão vulneráveis a ponto de lhe fazerem acreditar que suas dúvidas são mais seguras". Penso que eu e o meu amigo estávamos discutindo sob perspectivas e motivações distintas. Penso também que ele não sabe que, para mim, é tolice a rigidez do pensamento, tanto quanto a ilusão de que ter dúvidas é mais "sofisticado".

Muitos confundem pensamentos rígidos (ideias fixas) com certezas da alma, aquelas estabelecidas pela nossa experiência e consciência particulares. Muitos confundem o "ter certezas" com a falta de capacidade para se permitir a mudança de pensamentos, dar espaços para a diversidade da vida e das possibilidades de viver. Muitos confundem pessoas dispostas a viverem de acordo com o que acreditam com gente metida a perfeitinha...

... esta é a vida: quero tê-la em favor de mim.