Músicas »

[ 5 de Outubro de 2009 | 8 feedbacks » | 1016 visualizações]

[...] Natureza, deusa do viver / A beleza pura do nascer / Uma flor brilhando à luz do sol / Pescador entre o mar e o anzol [...] (Shimbalaiê, de Maria Gadú)

Repito: seremos sempre inúteis na tentativa de adivinhar a vida. Por mais que nos esforcemos, vez ou outra a gente descobre as fantasias que nos envergonham. Os palavrões ditos em voz baixa.

Também repito: ah, como é difícil lidar com a loucura que existe dentro de nós! São os nossos surtos de humanidade. Pequenas concessões desastrosas. É verdade: se ainda resta beleza em nós, o mundo deixará de nos parecer insípido.

... precisamos admitir: não há anjos entre nós.

Minhas reflexões »

[ 19 de Setembro de 2009 | 6 feedbacks » | 1582 visualizações]

Há em nós qualquer coisa de absoluto, que não pode ser qualificada. É o que a sociedade aborrece e distorce. (Virginia Woolf)


É isto que me move:

saber que todos os minutos se passam, mas de hora em hora.

Por que não aceitam nossas ambivalências?

Por que é necessário simular que não somos contradições?

Por que mentem quanto às nossas ambiguidades?

Anjos e demônios não são produções maniqueístas,

tão-somente.

Não são fantasias de ingênuos e crédulos.

Minhas dúvidas não cabem em mim.

É por isto que tanto luto:

resigno-me.

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WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob. Tradução Lya Luft. São Paulo: Novo Século, 2008, p. 197.

Homo sapiens »

[ 29 de Agosto de 2009 | 3 feedbacks » | 1760 visualizações]

A utopia da internet é que já não necessitamos ser representados, a democracia é de todos, somos todos iguais. Mentira. Nunca fomos nem somos nem seremos iguais. E, portanto, a democracia de todos é mentira. Seguimos necessitando de mediações de representação das diferentes dimensões da vida. Precisamos de partidos políticos ou de uma associação de pais em um colégio, por exemplo. (Martín-Barbero, filósofo espanhol)

Sempre que andamos (ou tentamos andar) na contramão da estupidez ocidental, preservando-nos da alienação, das psicoses provocadas por qualquer tipo de pensamento ou comportamento que não gera vida em nós, nem muito menos ajusta nossa percepção, vemos os desenhos mais sutis de uma alma em caricatura. Sim, já sabemos: não somos impermeáveis. Às vezes, todos estão presos por algemas e acorrentados. O pior é que nem sempre se dão conta disso. Falta-lhes (ou falta-nos) consciência.

É verdade: a lucidez nos arrebenta; o equilíbrio também nos cansa. Há momentos em que só queremos um pouco mais de loucura. Mas tudo isso é bestagem. Tolice de nossas fantasias. Solidão de tanta gente junta. Vazios de terras cheias de ilusões. Sejamos assim mesmo, equilibradamente desalinhados. Águas cristalinas tão limpas quanto nossas impurezas de ser. A cena do crime já foi alterada. E os suspeitos... cada um de nós.

Às vezes, pergunto-me se encontraremos mais dragões ou moinhos de vento. Se a cegueira era apenas um ensaio. Temos o que ficou ou não há tanta sorte assim? Mas tudo bem: é "um prazer cada vez mais raro... vaidades que a terra um dia há de comer".