Minhas reflexões »

[ 30 de Março de 2012 | Enviar feedback » | 35 visualizações]

Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente. (Virginia Woolf, escritora inglesa)

Sempre me flagro buscando a definição exata para as percepções que tenho acerca da vida. Fico tentando encontrar aquela formulação mais adequada, mais precisa, mais perfeita... Quando penso, por exemplo, no tipo de pessoa que me provoca interesse, atenção, vontade de estar perto e desejo de passar o resto dos dias compartilhando esta nossa existência tão cheia de espantos... só consigo imaginar uma expressão. É isto: gosto de quem tem "pensamento livre". Nem todas as pessoas, mesmo sendo inteligentes, demonstram liberdade no modo como enxergam o mundo.

Nessa minha busca pela formulação exata, a ideia de liberdade está - de algum modo particular - associada a uma das teorias da Física: a expansão do Universo. Quando penso que o Universo não é estático nem imutável, que está sempre em expansão, compreendo a beleza do pensamento livre, que evolui, que se estende, que vai mais longe...

Mesmo eu não tendo condições de discutir agora questões tão complexas, sou levada a pensar na beleza de tudo isso. Na sensibilidade daquela pessoa que reconhece o que é belo. Daquela pessoa que, mesmo impossibilitada de voar, amplia a vida, percebe-a de um modo muito inteiro, íntegro. Daquela pessoa que observa, apreende, reflete, pensa, agita-se, inquieta-se e agradece.

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Minhas reflexões »

[ 2 de Fevereiro de 2010 | 1 Feedback » | 1013 visualizações]

[...] façamos a mesma súplica de Alfred de Musset: "Poeta, pega tua lira". Sim, é de verdadeiro lirismo que necessitamos, e não de adrenalina. Rompamos a aliança funesta que se atou entre a sensibilidade e o artificialismo. Recuperemos nossa capacidade de vibrar diante do que é natural e belo. (Michel Lacroix, filósofo francês, p. 203)

Angústia é o nó invisível; é a ausência de espaço dentro de nós. Recolher-se é a alternativa para a alma doída e triste. Ou a covardia para quem não quer expor sua ferida. Definições são tentativas de se explicar ou tornar algo minimamente acessível. E assim sigo: sem a compreensão exata do que nos acontece, mas com a esperança de que há algo menos petrificado no meio do caminho.

... saber dói. Morre-se: quem não enxerga a beleza das coisas naturais, quem depende de artifícios para perceber a distância entre ontem e hoje. Morre-se: quem não se divide ao menos uma vez na vida, para depois tornar-se inteiro. Morre-se apenas. Quem não completa o luto. Luto é não saber como será, mas permitir-se aceitar que já não é. Algo sempre nos arranca a vida.

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Homo sapiens »

[ 11 de Outubro de 2009 | 6 feedbacks » | 1054 visualizações]

... a tentativa de compreender o ponto de vista de todos muitas vezes mostra que nós mesmos estamos desinteressadamente em uma posição média ou superior, e que tentar harmonizar pontos de vista conflitantes em um consenso implica rejeição da verdade de que certos conflitos só podem ser resolvidos unilateralmente. (Literary Theory by Terry Eagleton)

pessoas são seres insuportáveis. fingem preferências artísticas quando as julgam símbolos de bom gosto, inteligência e fascínio... tudo não passa de estupidez. aliás, a arte é estúpida: ninguém a define. mas todos se sentem melhores quando dizem que a apreciam, não necessariamente porque a apreciam. garotas pin-up dos anos 1920.

pessoas são seres que me cansam. bem disse miguel: ah, "cansei das pessoas pelas quais não tenho admiração". lábios broncos e sobrancelhas sem moldura. cospem no prato que compraram. acham-se donos daquilo por que pagaram. olham mas não enxergam. respiram mas não vivem. andam mas não saem do lugar. riem mas não entendem a piada. falta-lhes humor.

pessoas são seres vestidos. a nudez nem sempre lhes parece bela, porque há imperfeições. assimetrias não são bem-vindas. há os que rejeitam a perfeição, apenas de propósito. isso os faz parecer esquisitos. e ser estrangeiro parece "cult". minha nudez não é para todos. mas não quero estar vestida todos os dias.

pessoas são seres nojentos. óbvios e previsíveis. incompatíveis com a beleza do universo. rimas entediantes, diálogos fúteis, ideias atrofiadas, imbecis em copos de preconceitos. timbres e batidas forçadas. porque pessoas não são sons de uma noite de inverno: são melodias sem apoio musical.

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EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: Uma Introdução. Tradução Waltensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 10.