[...] Eu, no entanto, aprendi a amar no cárcere. (trecho do poema Adolescente by Vladimir Maiakovski)
A fome no mundo afeta hoje um bilhão de pessoas. Para pressionar os governos e mobilizar as sociedades, está disponível na internet a campanha "1 billion hungry". Ela foi apresentada em Brasília, nesta semana, pelo representante regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, durante a XVII Reunião Plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
Leia o texto completo »São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (art. 6º, da Constituição Federal de 1988)
Está escrito: é lei... Por toda a história do Brasil que nos acompanha, é comum o desinteresse de boa parte dos brasileiros pelo tema política. Pelas notícias de corrupção desde o período colonial, é recorrente a conivência do povo, algumas vezes por desconhecimento da esfera pública e pela própria ignorância política. "Pequenas" corrupções nos cercam no dia-a-dia. Aquela mesma pessoa que reclama do Congresso Nacional é aquela que não devolve o troco recebido a mais. Uma espécie de corrupção relativa!
Está escrito: é lei... Desde muito cedo, por alguma razão, tenho interesse por conhecer e aprender sobre nossa legislação brasileira. Mais que isso: interesso-me pelas discussões políticas do cenário nacional. Por conta desse desejo, decidi solicitar o título de eleitor aos 16 anos de idade. Era facultativo, eu sei, mas queria contribuir para melhoria de minha cidade, de meus conterrâneos. Estamos em 2008... E minha cidade padece de falta de água. Essa coisinha básica para sobrevivência de todos.
Está escrito: é lei... Incompetência administrativa, má gestão de dinheiro público, desvio de dinheiro público, corrupção nos mais diversos níveis, tráfico de influência, suborno, propina... Nossas prefeituras estão recheadas desse tipo de nomenclatura. E a desesperança assola a consciência do eleitor, incrédulo até mesmo em relação a pequenas mudanças.
Pobreza, miséria, desemprego, falta de educação básica, de atendimento médico, (in)segurança pública. Quem não sabe o que é isso? Essa desgraça que vai de encontro à legislação!? Não, não vou sucumbir. Alguma coisa posso fazer diariamente. Não, não aceito. Não tenho fé pra ser incrédula. Aqui ou ali, farei o que acredito estar certo. Não, não compro doces de crianças. Não quero incentivá-las ao trabalho infantil. Sim, sou extremamente chata. Sim, se me sinto lesada como comsumidora, aciono o Procon. Qual o problema?
... está tudo errado: acreditar em mudanças virou pieguice; gostar de política é coisa antipática; apoiar a lei seca é absurdo; denunciar o cara que bate na companheira é se meter em briga de marido e mulher, como se violência doméstica fosse algo privado. Está tudo errado: dizer o que penso é ser autoritário; conferir extrato bancário é coisa de neurótico; não querer pagar os 10% dos serviços nos restaurantes é deselegância.
20 anos depois, está escrito: é lei...
é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.
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BRASIL. Constituição Federal do Brasil. Artigos 5º e 6º, de 05 de outubro de 1988. In: Vade Mecum – Acadêmico de Direito. Anne Joyce Angher (organização). 4ª edição. São Paulo: Editora Rideel, 2007, p. 43 e 46. (Coleção de Leis Rideel)
"Existe uma espécie de tirania das idéias, aquela que toma conta do senso comum, fazendo com que o estranho pareça natural, o a posteriori pareça a priori, o incomum pareça comum. Idéias irrompem em um determinado momento histórico, sendo novas naquele então, e, depois, com o tempo, se sedimentam, em um processo lento que as faz quase estáticas, tornando-as, assim, parte, quase inevitável, do modo mediante o qual pensamos. Em vez de nos interrogarmos sobre o modo de aparecimento e funcionamento das idéias graças às quais pensamos e conhecemos, terminamos por nos acomodar a elas, como se elas não precisassem mais de questionamentos, como se aquilo que se encontra a nosso alcance imediato fosse produto de um processo natural. Idéias nos escravizam sem que percebamos as raízes da escravidão." (Denis Rosenfield, filósofo e cientista político)
Até mesmo por conta da minha formação religiosa, comparar certas afirmações com o universo "evangélico-cristão", para mim, é inevitável. Na minha avaliação, não existe ambiente mais propício à alienação do que o ambiente religioso. O sujeito é treinado para não questionar, para não desconfiar das "idéias" de seus "mestres espirituais", sob o argumento de que tudo está lá: está escrito na Bíblia. Assim como, em nome da justiça social, muitos movimentos ditos sociais cometem absurdos, em nome de Deus, muitos movimentos ditos cristãos retiram do homem a possibilidade de acreditar num Deus muito mais amoroso do que vingativo e de um Deus muito mais humano do que distante de nós.
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ROSENFIELD, Denis Lerrer. A democracia ameaçada - O MST, o teológico-político e a liberdade. Topbooks: Rio de Janeiro, 2006. p. 30.