por Zeca Baleiro*
feito índio na canoa
bicho-de-pé carrapato
tamarindo fruta boa
picada aberta no mato
futebol no sol a pino
felicidade era fato
tosse gripe passa unguento
saci não usa sapato
vida de menino bento
bento monteiro lobato
minha arca de noé
eram bichos nos quintais
porco marreco cabrito
como já não se vê mais
jacaré fugiu do rio
corre que lá vem zás-trás
"tô fraco" grita a galinha
d'angola nhambus guarás
meu quintal faria inveja
a vinícius de moraes
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* Zeca Baleiro, 44, cantor e compositor, natural de São Luís, no Maranhão.
O poema foi extraído da Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/811973-zeca-baleiro-escreve-poema-sobre-infancia-no-interior-a-convite-da-folhinha.shtml.
por Jorge Leite*
o lápis
é instrumento
de crescimento
ou diminuição
da palavra
divino dom
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* Jorge Leite é, entre outras coisas, professor de língua portuguesa e estudante de mestrado em literatura brasileira na Universidade de Brasília (UnB).
por Paulo Leminski
no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas