Só escrevo porque há uma voz dentro de mim que não se cala. (Sylvia Plath, Letters home)
desequilíbrio
(by Aline Menezes)
nada é
bem elaborado aqui dentro,
confuso como sinos que tocam
na hora errada. Que atraem
os fieis errados...
[que não comungam, mas excomungam] o que há por fora de nós.
não há aparência melodiosa quando o que sentimos
é inexplicável,
indefinível,
inaceitável.
pensamentos que se desdobram querendo revelar alguma coisa, talvez indizível,
(...)
(...)
mas que respira, pulsa e quer viver.
Love is a shadow. (Sylvia Plath)
Às vezes, não sabemos o que temos conosco nem o que realmente somos. Tudo fica confuso dentro de nós. Tudo é apenas escuridão. A dor nos engana. Até o dia em que entendemos: é Deus quem sempre nos livra de nós mesmos...
TO BLEED
(by Aline Menezes)
It bleeds in me a silent and pure pain,
It bleeds in me a profane and noisy desire.
Tears that stream down from a hanging heart,
That still resists this worthless life.
My soul and my body confuse themselves
While I hope that you search for me.
I get down on my knees before God and I beg
For peace and faith find you.
I love you everyday, every night,
Every moment measured by my breath.
Nobody will ever feel how much
This broken and lonely heart bleeds.
Por que a vida é tão trágica? [...] A melancolia diminui à medida que escrevo. (Virginia Woolf, Diário)
é desta lucidez estranha e irracional que me escondo, nesta vida imunda que levamos, sombras infatigáveis. pergunto-me para quê. se nada vale o esforço, fragmento corroído pelas rachaduras da alma. tudo é insuportável, assim como dores de câncer. somos cães e porcos. morrer já não seria tão poético assim. miseráveis! putas! vira-latas! não é mallarmé. sou eu.
lágrimas solitárias que não me convencem da grandeza da vida. sempre mesquinha, apática, trapaceira e perversa. quem se importa? regurgitam vômitos de escárnio. vontade enlouquecida de gritar, gritar, gritar... estamos saturados da normalidade, da ordem, do mundo. ele, tão debochado!