É bem certo que não resolverei o problema da fome no mundo; é bem certo que não acabarei com a violência no País, assim como é certo que não morrerei sem antes deixar registrado o meu grito de desabafo, minha indignação, minhas "denúncias silenciadas"...
De férias em minha cidade natal, Tobias Barreto, interior de Sergipe, vi de perto a síntese do descaso político, da falta de interesse, da negligência daqueles eleitos para nos representarem. Minha cidade, que nos últimos anos sofre com a falta de água (bem-vindo ao mundo do aquecimento global? não, não é bem assim), hoje está entregue ao seu próprio caos. A luta pela sobrevivência é tão-somente uma fotografia em preto e branco, sem cores, sem paisagem.
A falta de esperança estampada no rosto das novas gerações me fez pensar no quanto somos irresponsáveis, egoístas, ignorantes e medíocres. Enquanto os moradores da pequena cidade se desdobravam para carregar seus baldes, bacias e reservatórios afins, a Câmara de Vereadores parecia não saber o que é um carro-pipa, de tão longe que os queridos vereadores estavam de lá. A explicação para a falta d'água? "É uma questão que diz respeito ao Ministério Público, tamanha é a irregularidade em nossos poços de captação de água, que ficam numa cidadezinha da Bahia." E onde está o Ministério Público? Alguém o acionou?
O drama de meus conterrâneos, incluindo minha família que lá está, é a repetição ridícula da "pornografia política" (obrigada, Jabor!) generalizada e disseminada em todo o Brasil. Vi uma face sem sorriso, uma alma cansada, de um povo que há muito não sabe "quem" é a cidade que mana leite e mel. Conhece-a sem água.
Não vou me adaptar!

12 comentários
Beijos!
Não se preocupe se não tiver nada pra dizer. Há situações que, de fato, silenciam nossa alma. Sinto-me enojada com o q acontece em nosso país, sobretudo em minha cidade. abraços,
Também compartilho de sua indignação, aliás, sua indignação não, indignação da grande maioria do povo brasileiro.
Pena que o "poder" de amenizar esse tipo de situação, concentre-se com a minoria. Não ha muito o que esperar de um país que os mesmos "ladrões" que desviam dinheiro da previdência, que andam com dinheiro na "cueca", sejam os mesmos que tomam decisões que afetam nossas vidas. O que fa-
zer se somos nós mesmos que os colocamos lá novamente? As vezes me pergunto se é um poço sem fundo...mas a explicação que encontro: é apenas a natureza humana, em sua forma mais egoísta...natureza do homem que abandonou o primeiro amor...(Apocalipse 2:4 "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor").
Alberto, primeiramente, obrigada pela visita e pelo comentário. Seja bem-vindo NOVAMENTE. Segundo, tenho vergonha do meu país. E mais: tenho vergonha do povo brasileiro. Alguma coisa precisa ser feita. Eu tento fazer minha parte, começando pela minha cidade natal, denunciando, exigindo transparência administrativa, procurando me informar sobre os porquês de tamanhas irregularidades... O pouco q faço já é alguma coisa. E não vou ficar parada! Sim, deve mesmo estar faltando amor. Um abraço,
É verdade, Filipe, tudo isso acontecendo "enquanto seu povo padece por um copo de esperança". Creio q vcs q moram aí podem fazer algo pela cidade, principalmente aqueles que têm acesso maior às informações, como é o seu caso. Acredito nas mobilizações sociais. Acredito q "a união faz a força". Se eu estivesse aí, gostaria de reunir um grupo de jovens para uma "audiência" com o governador do estado de Sergipe. É uma ilusão: pode ser. Mas acredito em milagres!!! abraços,
É uma pena que a água se vá pelo cano da corrupção, estagnação, incompetência, e tantas coisas mais!
É uma pena, Digo. um xero carinhoso, Nina
Acho que a sua frase final sintetiza tudo: "Não vou me adaptar" tbm, embora a situação tem me feito sentir mais abatimento q revolta... bjaum!
Artiles, Artiles, que alegria receber sua visita. Depois de conhecer o seu blog, eu o adicionei à lista de links deste site. Estamos juntos nessa indignação. Creio q os Titãs deveriam ser homenageados pela tão oportuna "Não vou me adaptar". um abraço carinhoso, Aline
isso me fez lembrar uma musik do Michael Jackson
(Man in the Mirror, depois procure a letra)
td bem q nao tem muuuuuuito a ver com o post,
mas acho q vc vai entender.. hehe
eh difícil, viu? mas talvez a resolução do problema
possa começar por isso: o grito de desabafo..
ou não.. eu não sei! as coisas andam tão dessa forma
q fica difícil passar palavras de esperança
seja pra kem for...
hunf... enquanto isso, continuemos com a "pornografia", entaõ!
beijos...
Oi, Dudu, quanto tempo!!! Finalmente, vc aparece aqui pra me visitar... Entendo q nesse tipo de situação não é simples encontrar palavras de desabafo. De qlqr forma, valeu pelo comentário. (ah, vc não estava conseguindo comentar por causa da palavra "pornografia". eu retirei e coloquei de novo no comment) beijos,
Oi, Helen! Antes, deixe-me agradecer pela estadia "no hotel fazenda". Foi ótimo. Até hoje, eu e Rodrigo estamos jogando dominó... Culpa sua! Sobre o protesto, sim, tenha certeza de q eu faria alguma coisa pela minha cidade, caso eu estivesse lá. Tentarei fazer algo daqui mesmo. beijos,
durante mais de 30 anos vcs bombearam água indiscriminadamente, secaram nossas nascentes não nos ressarciram, chegou a hora de cobrar a fatura. Não acredito que essa seja a saída, mas sim um fato político que nos empurrará para a solução definitiva. Tenho ideia do que vcs estão passando, quando escrevo estas linhas me lembro do tempo em que era criança, do distante gosto de água que sentia quando bebia a lama que saia das torneiras do Abelardo, certamente chegaremos a uma solução confortável para todos. Só te peço que quando vcs se mobilizarem tenham bom senso para identificar as verdadeiras causas do problema. Só te peço, querida Aline, que da próxima vez que escrever sobre a minha minha terra, deixe de lado sua técnica jornalística de codificação de mensagem a qual usou intencionalmente para nos reduzir ao pó, ao nada.
Cleber, primeiramente, não utilizei nenhuma "técnica jornalística de codificação de mensagem". Meu texto é irônico porque foi assim q eu quis escrevê-lo. Até onde sei, sou livre para me expressar e para discutir com meus amigos e meus visitantes questões q me incomodam. Em nenhum momento, tive a intenção de ofender ninguém, até porque a ofensa já existe pela própria situação. É ofensivo pessoas viverem em condições desumanas. É ofensivo o agricultor não ter como sobreviver. Qdo me refiro a cidadezinha, preste atenção q a palavra está dentro de uma frase entre aspas. Não fui eu quem disse, foi a explicação q me deram. E escrever "cidadezinha" é exatamente irônico, pois Tobias Barreto também é uma cidadezinha. Apenas um diminutivo. Nada mais que isso. Se vc se sentiu menosprezado, é um problema de auto-estima sua. Não minha. E o q vc chama de "técnica jornalística de codificação de mensagem", eu chamo de discrição. Como não obtive informações precisas sobre o q está acontecendo, usei da ironia. Tão-somente isso. A única coisa que espero q algo seja feito. E se depende de políticos, de Ministério Público ou dos próprios moradores da cidade, não sei. Apenas quero uma resposta. E continuarei denunciando da forma como acho melhor. É assim que será!
PS.: vc teve aqui e eu nem fiquei sabendo... como pode isso?
BJS!
Ester, sobre o q vc falou acima, é uma coisa irritante mesmo. Qto à viagem q fiz, praticamente passei a maior parte do tempo em casa. Às vezes, eu e minhas irmãs íamos tomar sorvete, picolé ou andar um pouco pela avenida. Sabe como é, né, em Tobias Barreto não há muitas coisas para fazer :P Se vc tivesse acessado o meu site antes, teria sabido q eu estava aí :) ahahah beijos
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