Minhas reflexões »

[ 10 de Março de 2010 | 2 feedbacks » | 992 visualizações]

Será do tempo? Será do quê? Os meus sapatos rincham, os meus sapatos cantam de alegria. E eu vou andando e aguardando cá de cima - que o seu oculto motivo chegue afinal até meu coração. (Um pé depois do outro, Mario Quintana)

Insensibilidade também é o substantivo que habita a alma de quem nos fere por falta de zelo. Se há coisas finitas - e essas são circunstâncias inevitáveis -, elas não devem ser pretexto para o desbotamento da virtude que um dia existiu. Mentiras são revelações descaradas. E o engano vez ou outra se aproveita de seres apáticos.

Gosto da transitoriedade da vida, mesmo quando ela nos parece assustadora. Gosto quando ideias fixas se rompem. Gosto desta coisa que pulsa aqui dentro, ora esperançosa, ora amedrontada. Mas sempre poderosa para me sacudir o espírito. E me fazer seguir.

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[ 21 de Fevereiro de 2010 | 3 feedbacks » | 1130 visualizações]

Cada conexão pode ter vida curta, mas seu excesso é indestrutível. Em meio à eternidade dessa rede imperceptível, você pode se sentir seguro diante da fragilidade irreparável de cada conexão singular e transitória. (Bauman, p. 79)

A fugacidade das experiências meramente virtuais são como sexo pago: pouco importa quem é o "eu" do outro lado, você quer mesmo é o gozo da performance mecânica e não muito demorada. E é por isso que aprendo com Lacroix: a primeira das paixões da alma é a admiração. Se alguém não lhe admira, não perca seu tempo nem amarrote seu espírito insistindo numa aproximação, pois certamente ela será defeituosa, estúpida e cínica.

Há inúmeras possibilidades de desmonte da autoestima. Uma delas é quando o outro está com você por um tipo de ganho secundário. Se, para cada pergunta que você lança, o outro responde "tanto faz", esteja certo de que essa apatia é o sintoma concreto de quem acumula opiniões reprimidas. Tão logo mostre-se possível, o outro provará que o "tanto faz" era só pra você. E assim ele se torna convenientemente acessível para os demais, achando toda imagem charmosa e bela.

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[ 18 de Fevereiro de 2010 | 2 feedbacks » | 850 visualizações]

A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa. (Roland Barthes)

Mudança de planos; alteração de percurso; troca de turno: a vida nos impele... Aprendo que, às vezes, decisões radicais são a única possibilidade de preservação da vida. Porque a certeza que nos apanha a alma só é real quando acompanhada de esperança. Há caminhos lentos. Esses, os mais dolorosos.

... e assim decido viver, seguindo o fluxo da atmosfera pessoal e intimista. Na melhor perfomance do egoísmo, após a sequência exagerada de ações altruístas demais. Aguardo impacientemente a hora em que me perdoarei pelas escolhas ingênuas e imaturas que um dia fiz.

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