Só escrevo porque há uma voz dentro de mim que não se cala. (Sylvia Plath, Letters home)
desequilíbrio
(by Aline Menezes)
nada é
bem elaborado aqui dentro,
confuso como sinos que tocam
na hora errada. Que atraem
os fieis errados...
[que não comungam, mas excomungam] o que há por fora de nós.
não há aparência melodiosa quando o que sentimos
é inexplicável,
indefinível,
inaceitável.
pensamentos que se desdobram querendo revelar alguma coisa, talvez indizível,
(...)
(...)
mas que respira, pulsa e quer viver.
Paris muda! mas minha melancolia não se move. [...] onde me perco e me exilo na memória. (Carta de Paris, Ana Cristina Cesar)
existem poucas coisas importantes na vida; em geral, tudo é insignificante. além disso, o mundo é feio, e são poucas as pessoas que têm a capacidade de reconhecer o que nos resta de belo. sim, porque - apesar da feiura do mundo - ainda ecoa pelo universo um pouco de beleza. talvez seja a isso que devamos gratidão.
quem consegue não se render à estupidez e à ignorância de aceitar que a nossa vida seja um produto fabricado em série? é o originial e único que me fascina. é o que é íntimo que me tira do meu estado de apatia anímica. onde encontrar gente disposta a entender tudo isso? a quem recorrer quando o que preciso é imensurável?
perde-se muito tempo procurando explicações. a vida não tem sentido; ela tem ecos de beleza. e eles viajam por muito longe. e quase ninguém os percebe. porque o cotidiano, as circunstâncias, as incapacidades, a indelicadeza, as vaidades, os preconceitos, as discriminações, as paranoias masculinas, as con(in)venções sociais... tudo tem efeito anestésico em nós.
Sempre me defendi da hostilidade com muita candidez. (in As teorias selvagens, Pola Oloixarac, p.75)
É este desassossego que me acalma. Que me liberta da prisão do mundo. Que me dá a certeza de um não conformismo, passividade brutal e alienada. Ideias confinadas, à espera da segurança necessária para a exposição. Este silêncio exato, contado, medido, rasgado. É este desassossego que me levanta todas as manhãs e que não me tira o sono completamente.
Meu espírito é morfossintático. E não importa o que isso signifique. Ele é proparoxítono, silábico, abstrato. Mas é ele que sinto: esta inquietação, reboliço, agitação de coisas, sentimentos, às vezes. Locução.
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