Literatura é liberdade. (Susan Sontag, escritora e filósofa americana)
Todos os dias ele nasce. Aqui e ali. Todos os dias, tudo muda e permanece igual. Gente caminhando pelas ruas e estradas do mundo... Gente solitária, comum. Pessoas que seguem suas vidas, outras que decidem interrompê-las. A vida é limite, assim como viver é permanecer em luto. A existência humana é trágica, e eu não tenho mais dúvidas em relação a isso. E aqueles momentos bons que temos são mesmo apenas intervalos de felicidade, como nos diria Schopenhauer.
Como entender que a liberdade também é condenação? Onde Nietzsche errou? A dor, o sofrimento, a angústia... A solidão e a morte... Precisamos reconhecer que estamos cercados. O mundo é estúpido. A nossa existência será sempre individual, portanto, solitária. Sou eu quem sente as minhas dores, ninguém mais pode senti-las, ainda que alguém se mostre para mim solidário. A vida é possessão involuntária: a dor é minha, está em mim, sem que eu a tivesse desejado.
Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente. (Virginia Woolf, escritora inglesa)
Sempre me flagro buscando a definição exata para as percepções que tenho acerca da vida. Fico tentando encontrar aquela formulação mais adequada, mais precisa, mais perfeita... Quando penso, por exemplo, no tipo de pessoa que me provoca interesse, atenção, vontade de estar perto e desejo de passar o resto dos dias compartilhando esta nossa existência tão cheia de espantos... só consigo imaginar uma expressão. É isto: gosto de quem tem "pensamento livre". Nem todas as pessoas, mesmo sendo inteligentes, demonstram liberdade no modo como enxergam o mundo.
Nessa minha busca pela formulação exata, a ideia de liberdade está - de algum modo particular - associada a uma das teorias da Física: a expansão do Universo. Quando penso que o Universo não é estático nem imutável, que está sempre em expansão, compreendo a beleza do pensamento livre, que evolui, que se estende, que vai mais longe...
Mesmo eu não tendo condições de discutir agora questões tão complexas, sou levada a pensar na beleza de tudo isso. Na sensibilidade daquela pessoa que reconhece o que é belo. Daquela pessoa que, mesmo impossibilitada de voar, amplia a vida, percebe-a de um modo muito inteiro, íntegro. Daquela pessoa que observa, apreende, reflete, pensa, agita-se, inquieta-se e agradece.
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Poor is the man whose pleasures depend on the permission of another. (Justify my love by Madonna)
Sôfrega, respiro. A sensação é a de que alguma coisa aqui dentro vai explodir a qualquer instante. Aquela busca sobre a qual escrevi é insana e ilusória. Arrasto-me lentamente, como se quisesse lutar contra toda esta impetuosidade de minha alma, deste espírito que se contorce diabolicamente, mas estranhamente livre, estranhamente. Livre.
Mas não consigo sair deste lugar onde me encontro louca, cheia de desejos e pensamentos impuros... Não consigo me concentrar, perco aquela vaga razão de tudo. Apesar desta afeição quase irracional, há uma delicadeza em tudo que toco, sinto, vejo. Sou o flagrante de minha imoralidade. Uma figura pálida, nua, inquieta.
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