Por que a vida é tão trágica? [...] A melancolia diminui à medida que escrevo. (Virginia Woolf, Diário)
é desta lucidez estranha e irracional que me escondo, nesta vida imunda que levamos, sombras infatigáveis. pergunto-me para quê. se nada vale o esforço, fragmento corroído pelas rachaduras da alma. tudo é insuportável, assim como dores de câncer. somos cães e porcos. morrer já não seria tão poético assim. miseráveis! putas! vira-latas! não é mallarmé. sou eu.
lágrimas solitárias que não me convencem da grandeza da vida. sempre mesquinha, apática, trapaceira e perversa. quem se importa? regurgitam vômitos de escárnio. vontade enlouquecida de gritar, gritar, gritar... estamos saturados da normalidade, da ordem, do mundo. ele, tão debochado!
eu, você, o mundo, tudo tão inútil.

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