Minhas reflexões »

[ 12 de Julho de 2011 | Enviar feedback » | 336 visualizações]

Sempre me defendi da hostilidade com muita candidez. (in As teorias selvagens, Pola Oloixarac, p.75)

É este desassossego que me acalma. Que me liberta da prisão do mundo. Que me dá a certeza de um não conformismo, passividade brutal e alienada. Ideias confinadas, à espera da segurança necessária para a exposição. Este silêncio exato, contado, medido, rasgado. É este desassossego que me levanta todas as manhãs e que não me tira o sono completamente.

Meu espírito é morfossintático. E não importa o que isso signifique. Ele é proparoxítono, silábico, abstrato. Mas é ele que sinto: esta inquietação, reboliço, agitação de coisas, sentimentos, às vezes. Locução.

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Foreign literature »

[ 15 de Abril de 2010 | 3 feedbacks » | 1046 visualizações]

Nada pode durar tanto, não existe nenhuma recordação que, por intensa que seja, não se apague. (Juan Rulfo, Pedro Páramo, p. 107)

Exceto pelo barulho que ouço, esta noite está silenciosa. Lembro-me, apesar das falhas, de quando andava pelas ruas de minha  pequena cidade. As coisas eram maiores naquela época; as casas eram mais distantes. O tempo não parecia tão sufocado, muito menos apressado. Tudo parecia bom. Mas, no fundo, eu sentia as emoções bem de perto.

Talvez desde sempre houvesse esta necessidade de me inquietar: algo sem nome; sem precisão; sem aparência. Vez ou outra, apego-me ao que ainda será. Transito entre aqueles espaços largos da avenida onde quase nasci e a agradável sensação de estar nesta arquitetura do cerrado. Prefiro esta minha incansável inexatidão.

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Sociedade »

[ 24 de Março de 2010 | 2 feedbacks » | 914 visualizações]

Human sexual life will always be subject to convention and human intervetion. It will never be completely "natural", if only because our species is social, cultural and articulate. (Gayle Rubin, p. 199)

A opressão das mulheres e a subordinação social, termos recorrentes no ensaio de Gayle Rubin, de fato não são assuntos tão simples quanto podem parecer e, por isso mesmo, exigem leitura mais ampla da questão. No clássico The traffic in women, Rubin tenta nos apresentar definições mais elaboradas sobre o que ela chama de "sistema de sexo/gênero". E afirma que esse sistema "envolve muito mais do que 'relações de procriação', reprodução no sentido biológico" (p. 167).

Nossas avós e bisavós, não muito longe as nossas mães, dificilmente (ou quase nunca) se sentiam à vontade, muito menos livres (ainda mais porque não eram), para expressar seus desejos ou suas percepções acerca do sexo ou da sexualidade. Aliás, nem elas mesmas se permitiam "querer" falar. Clitóris, orgasmo, pênis, entre tantas outras, eram palavras inexistentes nesse universo ou, pior, impronunciáveis. Sentir prazer sexual não era coisa de 'fêmea', mas uma espécie de direito do 'macho'.

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