DAS MULHERES LINDAS, MEIGUINHAS & PERFEITAS

12/01/2008 - Categorias: Humor / Guerra de gêneros  

por Hanna Lewis
(com citações de Alex Castro)

Assim são elas: um doce de existir. Um estardalhaço de beleza e perfeição. Elas estão lá, do outro lado da tela. Teclamos com elas e ficamos logo logo excitados. Melhor ainda quando a vemos pela webcam. Hummm, que loucura! Confessou um corajoso colega meu, que é macho! Ela é excitante. Continuou meu colega. Depois de muitas e muitas horas conectado à linda companheira do outro lado da tela, ele vai dormir quase satisfeito. Fez o tipo cabeça, bom papo, deu conselhos sensatos, foi super atencioso e ainda por cima ajudou na auto-estima da bela companheira do outro lado da tela. Certamente, para a companheira do outro lado da tela, ele também é um doce de existir. O melhor namorado do mundo! Ela poderá pensar.

“Homem é um bicho desesperado mesmo, quer comer até prima feia, quem dirá uma mulher bonita e inteligente.(1)" Sim, somos verdadeiros babacas. Basta um sorriso malicioso para mexer com nossos hormônios. E, às vezes, nem isso. Meu colega me parece um cara honesto, desses que não encontramos por aí. Graças a homens como ele, a classe masculina (ou será raça? ai, fico confusa!) ainda tem algum tipo de reputação perante as mulheres. Depois de nossa conversa, pensei equivocadamente que meu colega era ingênuo, até ele reproduzir uma afirmação perfeita:

“Quando uma mulher diz que quer que você e ela sejam apenas amigos, ela não quer realmente que vocês dois sejam apenas amigos. Ela quer que você seja o amigo que fica babando por ela, mesmo sem ter a mínima chance de coisa alguma, e ela quer ser aquela amiga que estala os dedos e o amigo vem correndo, de rabinho abanando.(2)" Taí, gostei disso. O cara é esperto! E meu colega prosseguiu. Digo isso porque acontece com quase todas as minhas amigas-flertantes-virtualmente-lindas-e-perfeitas. Elas adoram saber que me provocam. É mesmo, eu disse. Meu colega tem 1,80 de altura (para a média nacional, ele me parece alto). Olhos castanhos claros e lindos. Quando vamos almoçar juntos, não há quem não olhe para ele. Até os homens – meio desconsertados (é verdade) – olham de soslaio!

Espantei-me com o meu lindo colega de olhos castanhos claros: gosto mesmo de mulher imperfeita. Mulher imperfeita é a criatura mais surpreendente que há. Acrescentou. Mulher imperfeita pode ser alta, baixa, mediana. Ou tem cabelos claros ou escuros ou misturados. Mulher imperfeita pode ter nariz pequeno, maior ou médio. Ou usa óculos ou vive de lentes. Ou nem um nem outro. Mulher imperfeita, quando está com raiva, está com raiva. Não finge biquinho. Mulher imperfeita, quando é tirada do sério, fala palavrão... Não finge ser educadinha, meiguinha, lindinha, comportadinha. Não usa tudo no dimutivo... Mulher imperfeita também escreve crônicas imperfeitas. E nem por isso são menos inteligentes ou menos atraentes! Mulher imperfeita também sabe ser linda e gentil. Também sabe ser fêmea!

Quase caí de costas com esse meu colega...

...que é macho!

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(1) citação retirada do texto “Amizade verdadeira”, de Alex Castro.
(2) citação retirada daqui.

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DAS FABULOSAS CONVERSAS NO MESSENGER (OU NO GTALK)

10/01/2008 - Categorias: Humor / Guerra de gêneros  

Não restam dúvidas: estagiárias mexem com o imaginário masculino. E se for o imaginário do homem casado, então, nem se fala!!!!

por Jaqueline Porto

Ela - Nossa, tá todo mundo de olho na nova estagiária.
Ele - Bonita e gostosa. Fazer o quê? Chora, querida.
Ela: Tá de sacanagem comigo, né. Até parece que tem muito gatinho aqui.
Ele: Hehehe!
Ela: Fala sério, nem é tão bonita assim. Eu achei meio Raimunda.
Ele: Olha o despeito...
Ela: Sério mesmo! Mas na boa, o que vocês preferem: bonita ou gostosa?
Ele: Depende. Se for muito bonita, não precisa ser tão gostosa. Se for muito gostosa, não precisa ser tão bonita.
Ela: Que coisa escrota. Nem vou perguntar sobre mim. Depois dessa tive medo da resposta.
Ele: Hum...você quem sabe...
Ela: Ah, na boa. Fala logo. O máximo que pode acontecer sou eu entrar na academia amanhã ou ir no Pitanguy fazer uma plástica
Ele: Não dá, já te expliquei.
Ela: Explicou o quê?
Ele: Não tenho como avaliar assim tão superficialmente. Só com uma análise mais aprofundada...
Ela: Credo... tu é escroto mesmo.
Ele: Sou nada. Só seria muito leviano da minha parte fazer um julgamento tão superficial.
Ela: Ai, você me dá nojo!
Ele: Você perguntou sobre ser bonita e gostosa, mas tem um porém... nem uma coisa nem outra garantem que a mulher seja boa de foda.
Ela: Seu podre! Não acredito...
Ele: São três, então, as características fundamentais pro julgamento: se é bonita, se é gostosa e se é boa na parada. Cada qual tem sua importância...
Ela: Desisto. Vou voltar a trabalhar!

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* texto retirado do blog Estava perdida no mar.

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DA PONTUAÇÃO AMOROSA...

09/01/2008 - Categorias: Humor / Guerra de gêneros  

por Xico Sá

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.

Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e vírgula; jamais um ponto final.

Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente, SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!

Sem reticências...

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por aí dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem aqui nem na Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem pelo menos uma discussão calorosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por aí assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.

E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro.

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Xico Sá é jornalista e escritor, autor de Modos de macho & Modinhas de fêmea (Ed. Record), Divina comédia da fama, nova geografia da fome (livro de reportagem de estrada, Editora Tempo d'Imagem), Paixão Roxa (haikais, Ed. Pirata), Se um cão vadio aos pés de uma mulher-abismo (idílio, Editora Fina Flor) e Do Catecismo de devoções, intimidades & pornografias (Editora do Bispo). Mantém o blog Carapuceiro.

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