"A única experiência social possível de ser comparada à situação dos atuais viciados em crack não é a dos escravos em qualquer das sociedades nas quais eles existiram, já que mesmo esses escravos, geralmente considerados como ?coisas?, passíveis de serem comprados, vendidos, conquistados ou roubados, ainda nessas condições se mantiveram uma situação existencial de ter o corpo cativo, mas serem ainda donos de uma vontade manifesta ou latente que, ainda que frustrada em suas ações, era ?livre? em seu pensamento e desejo íntimos."
Crack, corrosão da sociabilidade e inviabilização dos indivíduos
Por Edison Bariani
Sociólogo e professor universitário
De modo surpreendente, já estamos nos acostumando à terrível cena de hordas de indivíduos vagando solitários, perdidos, derrotados e vazios pelas ruas das cidades brasileiras. Os tais ?nóias?, ?zumbis?, ?andróides? ? ou algo do que o estupor popular os chame ? vasculham o lixo das ruas à procura de latas, vasculham o lixo social à procura de drogas e vasculham o fundo da alma à procura de algum sentido para suas vidas desperdiçadas.
"Tomar para si o uso do termo "vadias" tem sido uma irreverente estratégia de deboche do preconceito. Parte da exigência de que os direitos das mulheres não podem ser violentados em nenhuma hipótese, seja lá quem ou como for a vítima."
Por Carla Rodrigues
Jornalista e professora da UFF
Não importa quem você é, onde trabalha, como se identifica ou o que veste. Ninguém tem o direito de tocar seu corpo sem seu consentimento. É o que reivindica a Marcha das Vadias, movimento internacional iniciado no Canadá depois de um policial de Toronto pedir às mulheres que não se vestissem como vadias para não serem estupradas. Desde o primeiro protesto, em abril de 2011, o que se vê em Nova York, Boston, Berlim, São Paulo e Rio é a revitalização da pauta feminista, historicamente mobilizada contra a violência. É verdade que as vadias estão nas ruas para pedir mais do mesmo: fim da discriminação contra as mulheres, da violência sexual e da violência doméstica, do tratamento das vítimas como culpadas pela percepção de que os crimes são "naturais" diante do comportamento - ou da altura das saias - daquelas que supostamente provocam os estupradores.
As imagens das marchas mostram jovens com corpos pintados e cartazes que transformaram em slogans divertidos uma agenda política que tem avançado lentamente. Se a pauta é antiga, onde estaria a revitalização?
Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma. (Joseph Pulitzer)
MOVIMENTO CONTRA A CORRUPÇÃO DA MÍDIA
Senhoras e senhores,
Estamos aqui hoje para nos manifestar contra a corrupção, mas não como aqueles que estiveram neste mesmo local no último dia 7 de setembro dizendo que se manifestavam pelo mesmo motivo. O que aquelas pessoas fizeram, na verdade, foi um ato orquestrado por grandes impérios de comunicação e que teve como objetivo favorecer partidos políticos.
Antes de prosseguir, é bom explicar que este Ato Público não pertence a nenhum partido político, a nenhum sindicato, a nenhum grupo de interesse. Foi convocado pelo Movimento dos Sem Mídia, que luta pela democratização da comunicação no Brasil, ou seja, para que essa comunicação não continue na mão de meia dúzia de famílias.
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